Na reta final de Dividendos fevereiro 2026, um grupo seleto de companhias dos setores elétrico, industrial, papel e celulose e educação confirmam pagamentos importantes a seus investidores. Nesta análise especial, reunimos todos os valores, datas-limite e prazos de crédito divulgados pelos próprios emissores para que você tome decisões informadas e planeje seu fluxo de caixa de forma estratégica.
O cronograma, que começa na quarta-feira, 25, e se estende até a sexta-feira, 27 de fevereiro, inclui nomes tradicionais da Bolsa, como Isa Energia, Klabin e Vibra, além de empresas regionais e nichadas, caso da Companhia Industrial Cataguases. Abaixo, destrinchamos quem paga, quanto paga, quando paga e por que cada distribuição é relevante para o acionista pessoa física e institucional.
Por que acompanhar o calendário de dividendos?
Muitos investidores olham para dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) apenas como “renda extra”. Entretanto, saber exatamente o dia de corte (“data-com”), o valor por ação e a data de pagamento pode significar oportunidades relevantes em três frentes: otimização fiscal, reinvestimento automático e equilíbrio do portfólio.
No Brasil, a distribuição de JCP concede um benefício tributário à companhia, pois o valor é contabilizado como despesa financeira que reduz o lucro tributável. Já o acionista recebe o montante líquido de 15% de Imposto de Renda retido na fonte. Dividendos, por sua vez, continuam isentos para pessoas físicas, o que reforça o apelo de companhias pagadoras — principalmente em ciclos de juros altos.
Visão geral dos pagamentos da semana
A última semana de fevereiro reúne nove companhias listadas na B3, mas, considerando a existência de classes de ações diferentes (ordinárias, preferenciais, units), o investidor encontrará 14 códigos (tickers) na tabela oficial. São eles: ISAE3, ISAE4, SHUL3, SHUL4, CATA3, CATA4, KLBN11, KLBN3, KLBN4, TECN3, VBBR3, WLMM3, WLMM4 e YDUQ3.
O valor total que será injetado no bolso dos acionistas ultrapassa os R$ 10 bilhões se somadas todas as distribuições previstas, com destaque numérico para Klabin e Vibra, duas companhias de alto volume de free-float. A seguir, exploramos caso a caso, começando pelos pagamentos de quarta-feira.
Quarta-feira, 25 de fevereiro: Isa Energia e Schulz abrem a rodada
1. Isa Energia (ISAE3 e ISAE4)
A transmissora de energia, controlada pelo grupo colombiano Interconexión Eléctrica (ISA), remunera seus acionistas via JCP. O valor bruto por ação é de R$ 0,250553 tanto para as ações ordinárias (ISAE3) quanto para as preferenciais (ISAE4). Quem estava posicionado até 29 de janeiro de 2026, data-com indicada pela companhia, fará jus ao crédito que cairá em 25 de fevereiro de 2026.
Impacto para o investidor: Empresas de transmissão costumam ter receitas previsíveis, pois operam contratos de concessão corrigidos pela inflação. Para quem busca estabilidade de fluxo, Isa Energia é frequentemente citada como alternativa defensiva, e a consistência de seus JCP reforça essa narrativa. Vale lembrar que o valor líquido (após IR) fica em R$ 0,21297005 por papel.
2. Schulz (SHUL3 e SHUL4)
Referência nacional na fabricação de compressores de ar, autopeças e componentes fundidos, a catarinense Schulz também distribui JCP. Quem detinha papéis até 29 de dezembro de 2025 receberá em 25 de fevereiro de 2026. Os valores são diferenciados conforme a classe: R$ 0,09484251 por ação ordinária (SHUL3) e R$ 0,104326761 por preferencial (SHUL4).
Impacto para o investidor: Embora menores em cifra absoluta, os pagamentos da Schulz chamam atenção pelo histórico de quase três décadas sem prejuízo, o que consolida a imagem de companhia “pé no chão” entre investidores de perfil fundamentalista. O JCP líquido corresponde a R$ 0,0806161335 em SHUL3 e R$ 0,08867774685 em SHUL4, após retenção de 15% de IR.
Sexta-feira, 27 de fevereiro: sete empresas intensificam o fluxo de caixa do mercado
3. Companhia Industrial Cataguases (CATA3 e CATA4)
Fundada na Zona da Mata mineira em 1936, a Companhia Industrial Cataguases é uma das principais produtoras nacionais de tecidos planos de algodão. Ela distribui JCP “robusto” para os dois tipos de ação. No caso da CATA3 (ordinária), o valor bruto atinge R$ 6,8659 por papel; na CATA4 (preferencial), sobe para significativos R$ 8,9826.
Impacto para o investidor: Em parte, esses valores expressivos refletem a baixa liquidez do papel e a estrutura de capital mais enxuta. Como de praxe, os JCP sofrem retenção de IR, mas ainda assim o rendimento percentual (dividend yield) pode superar dois dígitos, atraindo caçadores de barganhas que não se importam com menor facilidade de entrada e saída no ativo.
4. Klabin (KLBN11, KLBN3 e KLBN4)
Maior produtora e exportadora de papéis para embalagem do Brasil, a Klabin remunera em forma de dividendo tradicional (isento para pessoa física). Serão R$ 0,2279858612 para cada unit (KLBN11), que corresponde a um pacote de ações ordinárias e preferenciais. Quem detém apenas ações individuais recebe R$ 0,0455971723 em KLBN3 e KLBN4.
Impacto para o investidor: A Klabin é frequentemente considerada uma blue chip do setor de papel e celulose, respeitada por sua governança e projetos de expansão como o Puma II. Os dividendos anunciados no fim de 2025 refletem o desempenho operacional consistente, marcado por ganhos de eficiência e receitas em dólar, já que parte significativa da produção é exportada. Para o investidor, trata-se de renda isenta, o que melhora o resultado líquido.
5. Technos (TECN3)
Única pagadora de dividendos na Bolsa dentro do segmento de relógios, a Technos aprova R$ 0,2473999 por ação, com base na posição de 30 de dezembro de 2025. O crédito a ser efetuado em 27 de fevereiro de 2026 sinaliza que a companhia, após longo período de reestruturação, segue comprometida com a geração de caixa e recompra de ações.
Impacto para o investidor: Ao contrário de empresas mais previsíveis, a Technos lida com volatilidade de demanda em bens de consumo discricionário, mas a volta ao lucro e a disciplina financeira fortalecem a confiança de minoritários. Como o dividendo é isento, o yield embutido pode surpreender positivamente, especialmente em um papel historicamente negociado a múltiplos modestos.
6. Vibra Energia (VBBR3)
Antiga BR Distribuidora, a Vibra paga JCP de R$ 0,3140389862 por ação, referente à posição de 21 de março de 2025. O valor líquido, após IR, fica em R$ 0,26693313827. Maior distribuidora de combustíveis do País, a Vibra vem apostando em iniciativas de transição energética e diversificação de receita, mas mantém forte geração de caixa no negócio de distribuição tradicional.
Impacto para o investidor: Mesmo diante da volatilidade do petróleo e da concorrência acirrada, a Vibra tem reiterado seu compromisso de distribuir pelo menos 50% do lucro líquido ajustado, política que agrada os investidores de renda. O JCP anunciado reforça essa diretriz e embasa projeções de dividend yield de médio prazo acima da média setorial.
7. WLM (WLMM3 e WLMM4)
A WLM, grupo que controla concessionárias da marca Scania, dá sequência ao costume de remunerar generosamente. Distribuirá JCP de R$ 0,3255292 por ação ordinária (WLMM3) e R$ 0,3580821 por preferencial (WLMM4), tomando como data-com 8 de janeiro de 2026.
Impacto para o investidor: Em 2025, a companhia reportou forte demanda por veículos pesados, impulsionada pelo agronegócio. O JCP divulgado confirma tal momento positivo. Investidores que desejam exposição ao ciclo de transportes e logística via autoparts veem em WLM um player defensivo, dado o relacionamento de décadas com a Scania e a prática de repassar custos rapidamente.
Imagem: Internet
8. Yduqs (YDUQ3)
Maior grupo de ensino superior listado na B3, a Yduqs distribui dividendo de R$ 0,5691430966 por ação, para quem estava posicionado até 26 de dezembro de 2025. Embora o valor absoluto possa parecer inferior ao das grandes pagadoras tradicionais, é relevante no contexto de empresas educacionais, que habitualmente reinvestem grande parte do lucro em expansão de polos e tecnologia.
Impacto para o investidor: O pagamento reforça a virada operacional da Yduqs após ajustes nos cursos presenciais e a consolidação do ensino digital. Para o bolso do investidor, o dividendo isento pode ajudar a compensar a volatilidade típica do setor, bastante sensível a mudanças regulatórias e de financiamento estudantil.
Entendendo as diferenças entre Dividendos e JCP
Como visto, metade das empresas da agenda de Dividendos fevereiro 2026 optou por remunerar via JCP, enquanto a outra metade usou dividendos convencionais. A escolha depende de variáveis como regime tributário, estrutura societária e maturidade do ciclo de investimentos. Abaixo, recapitulamos as principais distinções:
Tributação – Dividendos são isentos para a pessoa física. O JCP sofre retenção de 15% na fonte, mas concede dedução fiscal à empresa, que reduz o lucro tributável; logo, pode ser financeiramente vantajoso para ambas as partes se bem calibrado.
Limite de distribuição – Por lei, o JCP não pode ultrapassar a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) acumulada, multiplicada pelo patrimônio líquido. Já o dividendo é livre, salvo limitações estatutárias.
Contabilidade – O JCP entra como despesa financeira, abaixando o resultado contábil. O dividendo é distribuição de lucro após imposto.
O que fazer com os proventos recebidos?
Uma vez que o dinheiro cai na conta da corretora, o investidor tem três caminhos clássicos:
1. Reinvestir na mesma empresa – Estratégia de longo prazo para aumentar a base de ações e o efeito dos juros compostos.
2. Diversificar em outros ativos – Se a carteira está concentrada, destinar os proventos a setores não correlacionados pode reduzir risco.
3. Utilizar como renda passiva – Para quem já vive de dividendos, o montante cobre despesas correntes e preserva o principal investido.
Dicas práticas para não perder a data-com
Perder a data-com significa ficar de fora do pagamento, mesmo que o investidor compre as ações um dia depois. Para evitar surpresas:
• Mantenha um calendário próprio de proventos ou utilize alertas na corretora.
• Verifique o horário de corte: basta possuir a ação ao fim do pregão.
• Lembre-se do prazo de liquidação (D+2) em compras feitas no mercado à vista.
Retrospectiva e perspectivas
O ano-base 2025, cujos lucros sustentam os proventos de Dividendos fevereiro 2026, foi marcado por alta de juros global, inflação resiliente e câmbio volátil. Ainda assim, segmentos defensivos – energia elétrica, papel e celulose – mantiveram margens, garantindo recursos para distribuir. Setores cíclicos, como industrial e educação, apostaram na eficiência operacional para liberar caixa. Nesse cenário, analistas projetam continuidade dos pagamentos no segundo semestre de 2026, caso a política monetária dê sinais de flexibilização.
Checklist rápido da semana
• 25/02 – Isa Energia (ISAE3/4) e Schulz (SHUL3/4)
• 27/02 – Cataguases (CATA3/4), Klabin (KLBN11/3/4), Technos (TECN3), Vibra (VBBR3), WLM (WLMM3/4) e Yduqs (YDUQ3)
Em todos os casos, a empresa já fechou a data-com e anunciou o valor por ação. O investidor que ainda não possui esses papéis não terá direito aos proventos da semana, mas pode considerar futuras distribuições, avaliando a política de remuneração de cada companhia.
Conclusão: como transformar informação em estratégia
Monitorar o calendário de Dividendos fevereiro 2026 não é apenas contabilizar centavos, mas entender a saúde financeira das empresas e a disciplina de capital que elas praticam. Proventos previsíveis revelam gestão equilibrada, geração recorrente de caixa e comprometimento com o acionista. Ao mesmo tempo, dividendos extraordinários podem sinalizar falta de projetos de expansão ou, ao contrário, ganho de eficiência que merece ser reinvestido pelo investidor. O importante é alinhar tais sinais ao próprio perfil de risco, objetivos e horizonte temporal.
Com as informações acima, você está preparado para acompanhar a movimentação da última semana de fevereiro e decidir se reinveste, diversifica ou simplesmente comemora o fluxo de renda que chegará à sua conta. Afinal, todo bom planejamento financeiro começa com dados claros e termina com decisões conscientes.
Com informações de InfoMoney

