Contratar um seguro para aluguel no Carnaval tornou-se uma precaução indispensável para proprietários e viajantes que pretendem curtir o feriado em casas de temporada ou imóveis anunciados em plataformas digitais como o Airbnb. A alta rotatividade de hóspedes e o uso intensivo dos imóveis elevam a probabilidade de sinistros exatamente quando a ocupação atinge o pico. Entender os tipos de cobertura disponíveis, seus limites e exclusões é o primeiro passo para prevenir surpresas desagradáveis.
Neste guia completo, detalhamos como funciona a AirCover do Airbnb, quais são as lacunas de um seguro residencial tradicional, quando vale contratar uma apólice específica para curta temporada e que caminhos legais estão à disposição em caso de fraudes ou danos não cobertos. Aprofunde-se nas regras, responsabilidades e nos direitos de cada parte antes de entregar as chaves ou confirmar a reserva.
Por que o Carnaval exige atenção especial aos seguros
A temporada de Carnaval concentra, em poucos dias, um volume de hospedagens que costuma se espalhar pelos demais meses do ano. Além das festas de rua, muitos viajantes circulam entre cidades, frequentam praias, blocos e bailes, aumentando o fluxo de pessoas nos imóveis. Esse cenário gera:
Uso mais intenso das instalações: cozinhas, banheiros e sistemas elétricos trabalham no limite, elevando o risco de vazamentos, curto-circuitos e incêndios.
Maior circulação de desconhecidos: amigos dos hóspedes, prestadores de serviços e vizinhos entram e saem, dificultando identificar o responsável por eventuais danos.
Festas e consumo de bebidas: ambientes festivos podem provocar acidentes, quebras de móveis e danos a áreas comuns do condomínio.
Nesse contexto, contar com um seguro para aluguel no Carnaval significa dispor de apoio financeiro e jurídico caso algo saia do controle — seja para o dono do imóvel, seja para quem está aproveitando a estadia.
AirCover do Airbnb: cobertura gratuita para anfitriões
O Airbnb disponibiliza, sem custo adicional, o pacote AirCover a todos os anúncios ativos. Dividido em duas frentes, o benefício combina:
Seguro de responsabilidade civil para anfitriões: limite de até US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões) para cobrir lesão corporal ou danos a pertences de hóspedes e terceiros, além de estragos em áreas comuns do prédio ou de propriedades vizinhas.
Proteção do anfitrião contra danos: ressarcimento de até US$ 3 milhões (aproximadamente R$ 15,7 milhões) para reparos no imóvel ou em seus objetos quando o hóspede não assume o prejuízo.
A seguir, veja o que cada parte cobre com mais detalhes.
Responsabilidade civil: quando o anfitrião responde
Acionada quando o proprietário é considerado legalmente responsável, a cobertura de responsabilidade civil ampara:
Lesões corporais: escorregões, quedas ou outros acidentes que machuquem o hóspede ou terceiros dentro do imóvel.
Danos ou roubo de pertences: objetos pessoais dos hóspedes que sofram avaria ou desapareçam durante a estadia.
Estragos em áreas comuns: caso um hóspede quebre o elevador ou cause infiltração num corredor de uso coletivo, o condomínio pode exigir reparação — e a apólice entra em ação.
Quem mais está coberto? Coanfitriões e profissionais de limpeza envolvidos diretamente na locação também figuram como segurados, ampliando o alcance do amparo.
Proteção contra danos: quando o imóvel sai prejudicado
Se o problema atinge o patrimônio do anfitrião, entra em cena a proteção contra danos. Entre as situações reembolsáveis estão:
Quebra de móveis e eletrodomésticos;
Manchas em estofados e tapetes;
Danos provocados por animais de estimação;
Remoção de odor de fumaça;
Serviços extras de limpeza quando comprovadamente necessários pelas ações do hóspede.
No entanto, não há cobertura para:
Desgaste natural; perda de dinheiro em espécie; ou fenômenos naturais como terremotos e furacões.
Limitações e cuidados na AirCover
Embora robusta, a AirCover não é um passe livre. Para evitar negativa de indenização:
Comprove os danos: fotos, vídeos, conversas com o hóspede e orçamentos de reparo fundamentam o pedido.
Reporte em até 30 dias: atrasos podem ser interpretados como descuido e gerar recusa.
Colabore na mediação: o Airbnb tenta resolver amigavelmente com o hóspede antes de recorrer à seguradora. Negar diálogo reduz as chances de ressarcimento.
Seguro residencial tradicional: por que não basta na locação de temporada
Quem possui uma apólice convencional costuma acreditar que os riscos da locação por temporada já estão cobertos. Entretanto, especialistas alertam que:
Uso exclusivamente residencial: a maior parte dos contratos prevê ocupação pelo proprietário e sua família. Se a seguradora desconhecer a atividade de locação, pode negar sinistro.
Alta rotatividade aumenta o risco: cada troca de grupo de hóspedes altera o perfil de exposição, e esse aumento estatístico costuma ficar fora do cálculo original do prêmio.
Cláusulas de exclusão: danos intencionais ou acarretados por terceiros que pagam pela estadia muitas vezes aparecem como riscos excluídos.
Portanto, informar a seguradora sobre o objetivo de alugar e solicitar o adendo contratual adequado são passos indispensáveis para que o seguro para aluguel no Carnaval seja efetivo.
Apólice específica para curta temporada: o que observar
Ao contratar um seguro desenhado para curtas estadias — seja diretamente com a seguradora, seja via corretor — verifique:
Enquadramento do imóvel: algumas companhias usam a classificação “veraneio” ou “temporada”, diferenciando de residência habitual.
Obrigatoriedade de plataforma: certas seguradoras só aceitam imóveis locados por aplicativos reconhecidos, afastando contratos particulares.
Responsabilidade civil incluída: garanta proteção contra processos por danos a terceiros, essenciais em condomínios.
Perda de renda: cobertura que reembolsa diárias não recebidas quando o imóvel fica inoperante após um sinistro.
Bens do proprietário: mobiliário, eletrodomésticos e itens de decoração precisam constar no inventário para indenização integral.
Imagem: Internet
Multas condominiais e danos coletivos
Multas aplicadas pelo condomínio devido a barulho excessivo ou depredação rara vez entram no escopo de seguros residenciais. Em geral, o valor recai sobre o proprietário, que pode mover ação de regresso contra o hóspede responsável. Por isso, cláusulas contratuais bem formuladas funcionam como prova em caso de disputa judicial.
E o hóspede? Seguro-viagem não resolve tudo
Muitos turistas acreditam que uma apólice de seguro-viagem basta para cobrir qualquer contratempo. Na prática:
Foco na pessoa, não no imóvel: o seguro-viagem prioriza despesas médicas, extravio de bagagem e repatriação. Raramente contempla responsabilidade civil sobre danos à propriedade alheia.
Exceções pontuais para fraudes: algumas seguradoras oferecem reembolso limitado se a hospedagem contratada pela internet for fraudulenta, mas somente quando a transação ocorre em plataformas reconhecidas e haja comprovantes.
Assim, para o hóspede interessado em se proteger contra cobranças de danos, o ideal é:
1) Ler atentamente o regulamento da plataforma e da casa; 2) Registrar com fotos o estado do imóvel na chegada; 3) Reportar de imediato qualquer avaria pré-existente; 4) Considerar adquirir um seguro de responsabilidade civil individual, se disponível.
Fraudes em anúncios: como recuperar o prejuízo
Apesar do rigor de filtros de grandes plataformas, golpes ainda ocorrem, sobretudo em grupos de redes sociais. Caso o viajante pague por um imóvel inexistente:
Reúna provas: prints de anúncios, conversas, comprovantes de PIX, boleto ou cartão.
Registre no Procon: o órgão de defesa do consumidor abre um processo que pressiona o anunciante ou a plataforma.
Acione o Juizado Especial Cível: para valores até 20 salários mínimos, não há necessidade de advogado. Basta levar a documentação e relatar o caso.
A jurisprudência atual muitas vezes reconhece a responsabilidade solidária da plataforma que lucrou com a intermediação, segundo a advogada Siglia Azevedo.
Como elaborar um contrato de locação de temporada robusto
Mesmo quando a reserva ocorre via aplicativo, manter um contrato adicional protege ambas as partes. Elementos essenciais:
Identificação completa de proprietário e locatário;
Período exato da estadia, horários de check-in e check-out;
Inventário detalhado de móveis, eletrodomésticos e utensílios, anexado com fotos;
Regras de uso do imóvel, incluindo limites de visitantes, silêncio, animais e festas;
Valor e forma de caução, quando houver;
Multas por quebra de regras, sempre alinhadas às normas do Código Civil;
Cláusula de seguro, esclarecendo qual cobertura existe e quem é o beneficiário.
Checklist rápido para proprietários antes do Carnaval
1. Atualize a apólice: comunique a seguradora sobre o aluguel por temporada e inclua responsabilidade civil.
2. Revise o inventário: garanta que todos os itens relevantes estejam descritos e fotografados.
3. Defina caução razoável: valor muito baixo desestimula cuidado; muito alto afasta hóspedes.
4. Informe regras claras: adicione no anúncio e reforce no contrato.
5. Inspecione instalações elétricas e hidráulicas: prevenção reduz sinistros e desgaste.
Checklist rápido para hóspedes durante o Carnaval
1. Pesquise avaliações: histórico de notas e comentários indica confiabilidade.
2. Leia o anúncio completo: entenda limitações de ruído, visitas e estacionamento.
3. Registre a chegada: fotos e vídeos protegem contra acusações futuras.
4. Comunique problemas imediatamente: vazamentos ou panes relatados cedo evitam agravamento.
5. Guarde recibos e conversas: facilitam reembolsos pela AirCover ou ações judiciais.
Perguntas frequentes sobre seguro para aluguel no Carnaval
Se o hóspede se machucar na piscina, quem paga?
Se houver culpa do proprietário — por exemplo, falta de sinalização de profundidade —, a cobertura de responsabilidade civil do anfitrião pode ser acionada. Caso o hóspede aja de forma imprudente, a seguradora avaliará a situação.
A AirCover cobre queda de energia que estraga alimentos?
Danos indiretos, como alimentos perecíveis perdidos, não constam entre as coberturas listadas pelo Airbnb.
Posso usar seguro-viagem para cobrir a caução do Airbnb?
Não. As apólices de viagem, em geral, não ressarcem valores retidos como caução por danos ao imóvel.
Vazamento causado por ralo entupido do hóspede está coberto?
Sim, a proteção contra danos pode reembolsar o anfitrião, desde que comprovado que o hóspede não arcou com o reparo.
E se o imóvel for assaltado durante a estadia?
Roubo ou furto qualificado do conteúdo do imóvel é normalmente contemplado em apólices específicas para temporada, mas pode haver franquia ou limite de indenização.
Conclusão: prevenção e informação são o melhor seguro
O seguro para aluguel no Carnaval é peça-chave para a tranquilidade de proprietários e turistas em uma das épocas mais festivas — e arriscadas — do calendário brasileiro. A AirCover do Airbnb oferece proteção relevante, mas não elimina a necessidade de um contrato bem estruturado, comunicação transparente e manutenção preventiva do imóvel. Para quem aluga fora das plataformas, contratar uma apólice específica para curta temporada é indispensável, sob pena de enfrentar negativas de cobertura no pior momento.
Hóspedes também devem fazer a sua parte: pesquisar, documentar e zelar pelo espaço. Assim, todos podem aproveitar a folia tendo a certeza de que, se algo der errado, existirão recursos financeiros e legais para reparar os danos sem transformar a viagem dos sonhos em um pesadelo jurídico.
Com informações de InfoMoney


