O início de 2026 trouxe um dado relevante para quem possui ou pensa em contratar uma apólice de automóvel: o seguro auto 2026 estável aparece como a principal conclusão de um amplo levantamento realizado pela Creditas Seguros. Apesar da aparente calmaria, a pesquisa escancara diferenças expressivas entre perfis, modelos de veículos e, sobretudo, entre as capitais brasileiras.
Neste artigo, destrinchamos todos os números divulgados, explicamos por que homens e mulheres pagam valores tão distintos e apontamos fatores regionais que pressionam as cotações. Também mostramos como o consumidor pode se posicionar diante desse cenário e quais tendências podem alterar o comportamento do mercado ao longo do ano.
Panorama geral: estabilidade que esconde contrastes
O estudo comparou as menores ofertas de 14 seguradoras para os dez automóveis mais vendidos do país, nas onze capitais com maior peso no mercado. Ao final, constatou-se que:
• Homens pagaram R$ 2.390,32 em média, ligeira alta de 2,12% sobre dezembro.
• Mulheres desembolsaram R$ 2.908,42, avanço de 1,83% no mesmo intervalo.
À primeira vista, a variação inferior a 3% sugere um setor sem grandes sobressaltos. Porém, basta dividir os dados por gênero e localização para perceber uma disparidade de R$ 518,10 entre homens e mulheres, além de picos regionais superiores a 40% em um único mês.
Por que existe diferença de preço entre homens e mulheres?
Companhias de seguro constroem tabelas atuariais baseadas em estatísticas de sinistralidade: frequência de acidentes, custos médios de reparo, perfil de uso do carro, incidência de roubo, entre outras variáveis. O comportamento de cada grupo populacional, avaliado ao longo de anos, orienta o cálculo do risco.
Historicamente, motoristas do sexo masculino apresentavam maior propensão a sinistros graves, o que justificava prêmios mais altos. No entanto, as bases de dados passaram a indicar mudanças no padrão de deslocamento feminino – com crescimento da quilometragem anual e, em algumas capitais, maior registro de colisões em trânsito urbano denso. O resultado é que, em 2026, o preço para mulheres supera o dos homens na amostra analisada.
Ainda assim, o fator gênero não atua isoladamente. Idade, tempo de habilitação, estado civil, endereço de residência, escolaridade e tipo de veículo são ponderados pelas seguradoras, gerando avaliações particulares a cada CPF. Por isso, é possível encontrar mulheres pagando menos que homens em bairros específicos ou para modelos determinados.
Capitais com os seguros mais caros
O Rio de Janeiro permanece líder no ranking de valores médios, tanto para motoristas mulheres quanto homens. A capital fluminense registrou:
• R$ 5.835,36 (mulheres) – 38% acima de dezembro.
• R$ 4.782,67 (homens) – 46% acima de dezembro.
Em seguida aparecem Salvador (R$ 2.911,71 para mulheres) e Vitória (R$ 2.372,58 para homens). Fatores como alta incidência de furtos, trânsito congestionado e custo elevado de oficinas especializadas pressionam o preço naqueles mercados.
Capitais com os seguros mais baratos
Na outra ponta, Brasília concentrou os menores totais: R$ 2.200,00 (mulheres) e R$ 1.851,84 (homens). Mesmo com frota numerosa, a capital federal soma menor densidade populacional em áreas críticas, malha viária ampla e menor índice de roubos e furtos em comparação a metrópoles costeiras.
Florianópolis e Recife também figuraram entre os três menores preços masculinos, enquanto Florianópolis e Vitória completam o pódio feminino.
Impacto do modelo de veículo no valor da apólice
Entre os dez automóveis mais vendidos do país, as cotações apresentaram variação de quase 100% entre o menor e o maior valor registrado:
• Compass Sport 1.3 T 270 Flex Aut. – R$ 3.560,04 (homens) e R$ 4.088,04 (mulheres).
• Onix Hatch 1.0 12V Flex Manual – R$ 1.927,65 (homens) e R$ 2.515,22 (mulheres).
Motivos para tamanha diferença:
1. Preço de mercado: veículos mais caros demandam prêmios maiores, pois o custo de reposição é elevado.
2. Potência e desempenho: motores mais potentes correlacionam-se a condução esportiva, aumentando a probabilidade de colisões severas.
3. Taxa de roubos: certos modelos tornaram-se alvo preferencial de quadrilhas, o que inflaciona as cotações.
4. Custo de peças: disponibilidade limitada no mercado de reposição impacta o valor final de reparos.
Zoom em três carros emblemáticos
A seguir, detalhamos veículos que merecem atenção por agregarem picos ou recuos significativos em janeiro.
Compass Sport 1.3 T 270 Flex Aut.
• Homens: alta de 20,74% (de R$ 2.948,67 para R$ 3.560,04).
• Mulheres: salto de 65,97% (de R$ 2.463,20 para R$ 4.088,04).
Em capitais como Rio de Janeiro, o valor pode ultrapassar a casa dos R$ 10 mil para homens. Isso se deve, em parte, ao fato de o Compass ser um SUV de porte intermediário, alvo frequente de roubo e com peças de custo superior à média.
Imagem: Internet
Argo 1.0 6V Flex
• Homens: R$ 2.601,72, alta de 18,97%.
• Mulheres: R$ 3.165,83, elevação de 28,27%.
O Argo aparece entre os líderes de venda de entrada, mas seu volume nos guinchos das seguradoras também cresce, pressionando o cálculo atuarial.
Novo Polo Comfortline TSI 1.0 Flex Aut.
• Homens: queda de 8,99%.
• Mulheres: aumento de 36,70%.
O comportamento antagônico sugere mudança no perfil de contratação feminina para esse carro em regiões de maior risco, enquanto homens podem ter migrado para bairros de sinistralidade mais baixa ou renegociado coberturas.
Ano 2025 em retrospectiva: o que mudou até janeiro de 2026?
Conforme a Fenabrave, 2025 terminou com elevação de 3% na demanda por seguro auto. O crescimento não foi homogêneo: enquanto capitais do Sudeste registraram novas adesões, parte do Centro-Oeste e do Norte manteve expansão tímida. Diante desse movimento, as seguradoras ajustaram suas margens, resultando na leve escalada observada agora.
Outro vetor foi o recuo no preço de peças importadas em parte de 2025, beneficiado pela estabilização cambial. Contudo, a recente oscilação do dólar volta a preocupar o setor e pode refletir nos próximos ciclos de renovação de apólice.
Tendências para o seguro auto em 2026
1. Telemetria e dispositivos IoT: companhias apostam em rastreadores e aplicativos que monitoram aceleração, frenagem e rotas. Perfis prudentes tendem a receber descontos progressivos.
2. Seguro por assinatura: pacotes mensais sem fidelidade ganham tração nas capitais. Ideal para quem roda pouco ou pretende vender o automóvel.
3. Modelos elétricos e híbridos: embora ainda caros, começam a entrar nos estudos atuariais. Custo de bateria e rede restrita de oficinas especializadas pesam no cálculo.
4. Parcerias com montadoras: venda de veículos zero-quilômetro já acompanhada de apólice básica, criando ecossistema fechado e reduzindo atrito para o consumidor.
5. Integração com aplicativos de mobilidade: motoristas de plataformas poderão contratar coberturas dinâmicas, ativadas somente durante o período de trabalho.
Como pagar menos pelo seu seguro em 2026
Embora o cenário agregue volatilidade, existem caminhos legítimos para suavizar o impacto no bolso:
Compare cotações periodicamente. Nem sempre a seguradora mais barata no ano anterior manterá o posto em 2026. Use plataformas on-line para obter, em minutos, propostas atualizadas.
Revise coberturas. Se o veículo passou a rodar menos, talvez faça sentido reduzir quilometragem máxima ou remover adicionais pouco utilizados, como carro extra. Mas mantenha assistência 24h se viaja por estradas.
Adote dispositivos de segurança. Alarmes, bloqueadores e travas de volante reduzem probabilidade de furto e tendem a baixar o prêmio.
Guarda em garagem. Informar estacionamento fechado no endereço residencial ou comercial gera descontos imediatos, pois minimiza risco de dano e roubo.
Pacotes familiares. Nossa legislação não permite diferenciar tarifa de seguro de vida por sexo, mas no seguro auto é possível contratar mais de um veículo na mesma apólice, diluindo custos administrativos.
O que esperar do próximo ajuste de preços?
A estabilidade apontada em janeiro é um recorte de curto prazo. Eventos macroeconômicos – inflação de peças, variação cambial, aumento de roubo de automóveis – podem alterar o quadro ainda no primeiro semestre. Especialistas recomendam acompanhar mensalmente relatórios setoriais e, principalmente, realizar simulações a cada renovação.
No âmbito regulatório, o retorno de um fundo semelhante ao DPVAT, em discussão no Congresso, pode alterar o custo final do seguro obrigatório e, por tabela, influenciar as apólices voluntárias. Outro debate envolve a simplificação do formato de franquia, trazendo mais transparência para o bolso do consumidor.
Conclusão
O levantamento da Creditas Seguros indica que o seguro auto 2026 estável não significa uniformidade de valores. Diferenças de gênero, modelo de carro e localização geográfica pesam, produzindo cenários antagônicos dentro de um mesmo período de 30 dias. Para o motorista, a lição é clara: análise recorrente das ofertas, adoção de boas práticas de condução e investimento em dispositivos de segurança são passos essenciais para garantir o melhor custo-benefício.
Com informações de InfoMoney

