Os Prejuízos climáticos no Brasil 2025 já somam cerca de R$ 28 bilhões, segundo relatório global da Aon, acendendo alerta para governos, empresas e sociedade sobre a urgência de investir em resiliência climática.
Secas históricas, enchentes e tempestades convectivas severas lideram as estatísticas de danos econômicos, pressionando cadeias produtivas vitais — da geração hidrelétrica ao agronegócio — e ampliando a busca por seguros e soluções paramétricas.
Neste artigo, destrinchamos as causas, os efeitos e as alternativas de mitigação desses eventos extremos, baseando-nos exclusivamente nos dados divulgados pela consultoria Aon e complementando com contexto setorial, histórico e projeções.
Panorama dos prejuízos em 2025
O levantamento anual da Aon, divulgado em fevereiro, aponta que as perdas econômicas provocadas por desastres naturais no País alcançaram US$ 5,4 bilhões — aproximadamente R$ 28 bilhões no câmbio médio do período. Embora o valor represente apenas uma fatia dos R$ 1,4 trilhão de perdas globais, demonstra uma tendência local de agravamento que preocupa especialistas.
Entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil registrou oito eventos considerados de grande relevância para a indústria de seguros, incluindo secas prolongadas, inundações e tempestades convectivas severas. Mesmo sem atingir o pico observado em 2023 na Bacia do Prata, os números confirmam a recorrência de fenômenos extremos e os gargalos para a recuperação de áreas afetadas.
A seca amazônica: epicentro da crise hídrica
A Amazônia viveu em 2024 e 2025 um dos períodos mais áridos de que se tem registro. A falta de chuvas fechou hidrovias estratégicas, prejudicou comunidades ribeirinhas e reduziu drasticamente a vazão de rios essenciais para a geração de eletricidade.
O impacto foi perceptível na matriz energética: a participação da hidreletricidade, historicamente em torno de 66 % do total nacional, caiu para menos de 50 % em agosto de 2025. Esse recuo forçou o acionamento de termelétricas mais caras e poluentes, afetando tarifas e ampliando emissões de CO₂.
Nas lavouras, o cenário não foi melhor. Dados preliminares indicam perda significativa de produtividade de culturas como milho, soja e arroz em Estados do Norte, onde muitos produtores dependem de regimes regulares de cheias. A estiagem também acentuou focos de incêndio, devolvendo imagens de florestas em chamas e qualidade do ar comprometida nas capitais amazônicas.
Sudeste mostra recuperação, mas permanece vulnerável
Apesar da aparente trégua na Região Sudeste — que conviveu em anos anteriores com crise hídrica severa —, o relatório sublinha que a recuperação ainda é frágil. Reservatórios de grandes hidrelétricas, como Furnas e Cantareira, operaram em 2025 próximos de 60 % da capacidade, patamar confortável em comparação ao passado recente, mas insuficiente para garantir segurança hídrica em ciclos de baixa pluviosidade.
A concentração populacional e industrial do Sudeste impõe desafios extras. Tempestades de verão, classificadas pela Aon como tempestades convectivas severas, provocaram alagamentos em centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro. Em junho, um único evento deixou quatro mortos e danos diretos estimados em US$ 110 milhões.
Desastres naturais nas Américas: a dimensão continental
No contexto sul-americano, a seca de 2023 na Bacia do Prata permanece como marco financeiro: US$ 16 bilhões em perdas diretas, cobrindo áreas da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil. O fenômeno, impulsionado pelo El Niño, reduziu níveis de navegação no rio Paraná e impactou exportações de grãos. Em 2025, o padrão climático oscilou, mas a região manteve estresse hídrico em parte do primeiro semestre.
A correlação entre temperaturas oceânicas, circulação atmosférica e disponibilidade de água doce reforça que Brasil e vizinhos compartilham vulnerabilidades. Entender esses elos é fundamental para que políticas de adaptação não se limitem a divisas nacionais.
Sinistros agrícolas: café sob ameaça
Protagonista do agronegócio, o café enfrenta riscos inéditos. Além do Brasil, Colômbia e Vietnã — responsáveis por parte expressiva da oferta mundial — sofrem efeitos combinados de seca e calor excessivo. A Aon alerta que a cadeia global pode conviver com interrupções periódicas até 2050, caso não haja investimento maciço em irrigação eficiente, cultivares resistentes e monitoramento meteorológico avançado.
Historicamente, o Brasil já acumulou US$ 139 bilhões em perdas ligadas à seca nas últimas três décadas. Projeções da consultoria indicam que, em cenários de escassez hídrica prolongada, até 54 % das lavouras globais correm risco de quebra de safra em meados do século.
Seguros: evolução e lacunas de cobertura
O mercado segurador sente o peso dessa realidade. Ainda que as perdas seguradas no Brasil representem parcela menor do montante total — em razão da baixa penetração de apólices —, cresce a demanda por coberturas específicas para fenômenos climáticos. A Aon destaca o seguro paramétrico como solução de rápida liquidez: a indenização é liberada assim que determinado gatilho — como volume de chuva abaixo de certo nível ou temperatura acima de limite crítico — é verificado por satélite ou estação meteorológica.
Globalmente, os pagamentos de sinistros ultrapassaram US$ 127 bilhões em 2025, sexto ano seguido acima da marca de US$ 100 bilhões. No Brasil, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) compilados até novembro, as indenizações gerais somaram R$ 244 bilhões, refletindo tanto eventos climáticos quanto outros ramos. A ampliação da cultura de seguros é vista como essencial para reduzir o hiato entre perda econômica e perda segurada.
Tecnologias de monitoramento: o papel do Climate Risk Monitor
Ferramentas analíticas, como o Climate Risk Monitor (CRM) da Aon, aplicam modelos preditivos alimentados por séries históricas e dados meteorológicos em tempo real. A plataforma mapeia exposição a desastres, projeta cenários de perdas e sugere estratégias de mitigação. Para empresas, a principal vantagem reside na antecipação de gargalos logísticos e na quantificação de riscos patrimoniais; para governos, o sistema pode orientar políticas de alocação de recursos em infraestrutura resiliente.
Além do CRM, Serviços Geológicos e órgãos de Defesa Civil investem em redes de alerta precoce. No entanto, a eficácia depende de capilaridade de comunicação e educação comunitária para respostas rápidas — áreas onde o País avança de forma desigual entre estados.
Energia: diversificação e transição verde
Com a dependência hidrelétrica sob pressão, fontes complementares ganham protagonismo. A expansão da energia solar distribuída, que ultrapassou 25 GW de capacidade instalada em 2025, ajuda a atenuar picos de demanda. Parques eólicos no Nordeste também contribuem, mas a variabilidade climática reitera a importância de sistemas de armazenamento e linhas de transmissão robustas.
Imagem: Internet
Especialistas sugerem que, mesmo com hidrologia favorável, o Brasil mantenha ritmo acelerado de leilões para renováveis. A diversificação reduz exposição a anos de seca extrema, alinha-se a compromissos de descarbonização e atrai investimentos internacionais, sobretudo de fundos que condicionam aportes a critérios ESG.
Infraestrutura resiliente: prioridade de investimento
Ruas alagadas, rodovias interditadas e portos inoperantes por enchentes ilustram o custo de infraestrutura subdimensionada. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cada R$ 1 aplicado em prevenção poupa até R$ 6 em reconstrução. Projetos de drenagem urbana, reforço de barragens e reflorestamento de margens fluviais são alternativas com retorno social elevado.
Na esfera rural, microbarragens, plantio direto e sistemas agroflorestais demonstram potencial para conservar água no solo e reduzir erosão. Sem esses avanços, as estimativas de prejuízo de R$ 28 bilhões tendem a repetir-se ou mesmo piorar.
Eventos globais de alto custo em 2025
Embora o foco deste artigo seja o Brasil, vale contextualizar o ambiente internacional. Incêndios em Palisades e Eaton, na Califórnia, lideraram o ranking de perdas: US$ 58 bilhões em danos econômicos e US$ 41 bilhões em indenizações. Já as tempestades convectivas severas superaram ciclones tropicais como ameaça segurada mais onerosa neste século, gerando US$ 61 bilhões em sinistros pagos somente em 2025.
A correlação é clara: frequências maiores de eventos médios resultam em acumulação de prejuízos bilionários, pressionando resseguradoras e, por consequência, prêmios de seguros no mundo todo.
Impacto social: fatalidades em queda, vulnerabilidade em alta
O relatório da Aon indica 42 mil fatalidades globais, 45 % abaixo da média do século XXI. Redução atribuída a melhores sistemas de alerta, protocolos de evacuação e avanço na medicina de desastres. No entanto, a diminuição de óbitos não deve mascarar o aumento de pessoas afetadas por perdas materiais, deslocamentos forçados e insegurança alimentar.
No Brasil, enchentes de novembro em regiões metropolitanas deixaram milhares desalojados, ainda que sem registro oficial de mortes. Moradia informal em áreas de risco, ausência de zoneamento adequado e déficit habitacional ampliam a exposição de comunidades vulneráveis, exigindo políticas integradas de habitação e adaptação climática.
Políticas públicas e marcos regulatórios
A aprovação do Marco Legal de Seguros, já sancionada, aproxima o País de práticas internacionais. A norma simplifica contratos, reforça transparência e incentiva inovação em produtos. Além disso, o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima prevê metas para 2040, como redução de desmatamento e ampliação de áreas protegidas, essenciais para mitigar ciclos de seca e inundação.
Entretanto, analistas apontam lacunas na execução: falta coordenação interministerial, orçamento consistente e metas quantificáveis para cada setor. A criação de um Fundo Nacional de Resiliência Climática, abastecido por receitas de créditos de carbono e concessões de infraestrutura, é discussão corrente no Congresso.
Adaptação corporativa: cases e desafios
Empresas de celulose no Centro-Oeste adotam irrigação de precisão e sensores de umidade para evitar estresse hídrico em plantios de eucalipto. No setor elétrico, geradoras instalam turbinas mais eficientes que operam em regime de vazão reduzida. Já cooperativas agrícolas migram para seguros paramétricos, vinculando pagamentos a índices de seca. Esses exemplos ilustram caminhos possíveis, mas a adoção ainda é incipiente frente ao tamanho da economia nacional.
O desafio não reside apenas em financiar tecnologias, mas em transformar cultura de gestão de risco. Relatórios de sustentabilidade devem incorporar cenários climáticos extremos, planos de continuidade de negócios e indicadores de adaptação mensuráveis, sob pena de perda de competitividade.
Perspectivas até 2050
Projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sugerem que, sem cortes agressivos de emissões, o aumento da temperatura média global pode ultrapassar 2 °C ainda nesta metade de século. Para o Brasil, cenários apontam maior variabilidade de chuva na Amazônia e no Cerrado, intensificação de eventos extremos no Sul e elevação do nível do mar em regiões costeiras.
Se o país já acumulou R$ 726 bilhões em perdas por seca nos últimos 30 anos, a continuidade dessa tendência colocará em xeque a segurança hídrica de grandes capitais e a liderança do agronegócio nos mercados internacional e interno.
Conclusão: caminhos para reduzir os prejuízos climáticos no Brasil 2025
Os Prejuízos climáticos no Brasil 2025 são mais que um indicador econômico: revelam a urgência de alinhar desenvolvimento, proteção ambiental e gestão de risco. Aumento da resiliência passa por investimento preventivo em infraestrutura, diversificação energética, expansão de seguros, adoção de tecnologias de monitoramento e fortalecimento de políticas públicas.
Sem essas medidas, as cifras divulgadas pela Aon tendem a crescer, comprometendo avanços socioeconômicos conquistados nas últimas décadas. Cabe a cada ator — governos, empresas e cidadãos — reconhecer seu papel no enfrentamento da crise climática, transformando relatórios de perdas em alicerces para um futuro sustentável.
Com informações de InfoMoney


