BC Protege+ bloqueia contas falsas: 1 milhão de ativações no Brasil
O BC Protege+ bloqueia contas falsas e já soma 1 milhão de ativações, segundo balanço divulgado nesta sexta-feira pelo Banco Central do Brasil (BC). A marca confirma a rápida adoção da ferramenta que impede a abertura de contas bancárias em nome de terceiros, reduzindo fraudes digitais e prejuízos financeiros.
Lançado há pouco mais de quatro meses, o serviço gratuito possibilita que qualquer pessoa física ou jurídica comunique a todo o sistema financeiro que não autoriza a criação de novas contas em seu nome. Caso exista um pedido de abertura, a instituição é obrigada a consultar o registro; se houver bloqueio ativo, o processo é automaticamente recusado.
No cenário de expansão do Pix, do open finance e de novas formas de relacionamento bancário, a iniciativa desponta como mais uma camada de proteção para usuários cada vez mais conectados — e, consequentemente, mais expostos a golpes.
Por que o Banco Central criou o BC Protege+?
Antes de detalhar o funcionamento do BC Protege+, é fundamental compreender o contexto que motivou sua criação. Nos últimos anos, o Brasil assistiu a um crescimento pronunciado nas fraudes eletrônicas. Segundo dados consolidados pelo próprio Banco Central em relatórios anteriores, somente em 2022 foram registrados mais de 15 mil casos de contas abertas sem autorização, números frequentemente ligados a:
- Roubo de identidade e vazamento de dados pessoais;
- Apropriação indevida de documentos extraviados;
- Uso de contas “de passagem” para lavagem de dinheiro;
- Golpes de pirâmide e cobranças fraudulentas.
Nesse ambiente, criminosos aproveitam brechas no processo de cadastro de instituições financeiras, principalmente em fintechs com abertura 100% digital. Clientes só tomam conhecimento da fraude quando chegam cobranças inesperadas, protestos em cartório ou notificações de órgãos de proteção ao crédito.
Ao anunciar o BC Protege+, o regulador declarou que o objetivo central é impedir, de forma pró-ativa, que uma conta seja aberta antes mesmo de a vítima descobrir que seu CPF ou CNPJ foi utilizado indevidamente. Essa inversão de lógica — do “reparar depois” para o “bloquear antes” — dialoga com tendências internacionais de prevenção de fraudes.
Como funciona a ferramenta na prática?
O serviço opera dentro da plataforma Meu BC, a área logada que autentica usuários via conta gov.br de nível prata ou ouro. Todo o ciclo de ativação, suspensão temporária e reativação pode ser feito em poucos passos:
- Acesso: entre no site ou aplicativo do Banco Central e escolha “Entrar com gov.br”. O sistema exige autenticação em duas etapas.
- Localização: após o login, procure o menu “BC Protege+”.
- Ativação: clique em “Ativar Proteção” para registrar que não deseja abertura de contas enquanto o bloqueio estiver ligado.
- Suspensão: se decidir abrir uma conta legítima, basta “Pausar Proteção”. É possível programar data de reativação automática.
- Reativação: encerrada a necessidade de abrir contas, reative o bloqueio para manter o escudo contra tentativas futuras.
Durante todo o período em que o bloqueio está ativo, cada instituição financeira, banco, cooperativa ou fintech é obrigada a consultar o cadastro. O procedimento está previsto em normativos do BC que regulam a prevenção à lavagem de dinheiro e o sigilo bancário. Caso a consulta retorne status ativo, a abertura é vetada de imediato.
Quais contas podem ser protegidas?
A princípio, o BC Protege+ foi concebido para pessoas físicas. No entanto, quem detém vínculo com empresas dentro da base gov.br, na condição de “colaborador” devidamente cadastrado, também pode bloquear a abertura de contas para o CNPJ da organização. Isso inclui:
- Empresários Individuais (EI);
- Microempreendedores Individuais (MEI);
- Sociedades Limitadas (LTDA) ou Anônimas (S.A.);
- Entidades sem fins lucrativos.
Essa extensão ao universo empresarial se mostra relevante em razão do crescente número de crimes cometidos em nome de firmas de fachada, muitas vezes desconhecidas até pelos supostos sócios. Para empresas, o impacto financeiro de uma conta fraudulenta pode ser ainda maior, afetando reputação, fluxo de caixa e credibilidade junto a fornecedores.
Resultados expressivos em curto prazo
Ao alcançar a marca de 1 milhão de ativações, o BC Protege+ consolidou-se como um dos serviços de adoção mais veloz já disponibilizados pela autarquia. O número impressiona porque indica:
- Engajamento espontâneo: não há campanhas publicitárias maciças, o que sugere boca-a-boca positivo e ampla cobertura da imprensa;
- Conscientização do risco: os brasileiros estão mais atentos ao problema de roubo de identidade digital;
- Busca por autonomia: usuários preferem soluções nas quais têm controle direto, sem depender de terceiros.
A título de comparação, no lançamento do Pix em novembro de 2020, foram necessários cinco dias para atingir 1 milhão de chaves cadastradas. Embora contextos diferentes, o marco sinaliza que iniciativas que unem conveniência e segurança ganham rápida tração no mercado nacional.
Impacto na rotina dos bancos e fintechs
O mecanismo de bloqueio também forçou adaptações internas nas instituições financeiras. Cada abertura de conta, antes submetida apenas a verificações de documentos, passa a exigir uma consulta extra ao repositório do BC. Para cumprir o novo requisito, os bancos:
- Integraram sistemas de cadastro ao web service de verificação em tempo real;
- Treinaram equipes de análise de fraude para lidar com respostas “bloqueado” no fluxo de onboarding;
- Ajustaram comunicação com potenciais clientes que, por esquecimento, mantiveram o Protege+ ativo.
Esses ajustes, ainda que tragam custos operacionais, são considerados necessários. As empresas argumentam que reduzir contas fraudulentas significa menos prejuízo com estornos, multas e danos de imagem a longo prazo.
Benefícios para o consumidor
Entre os principais ganhos apontados por especialistas em direito do consumidor e cibersegurança — baseados em análises já publicadas em relatórios do Banco Central e de órgãos de defesa do consumidor — destacam-se:
- Prevenção imediata: a proteção é ativada em questão de minutos e vigora automaticamente.
- Custo zero: não há tarifas ou anuidade envolvida, pois o serviço faz parte do rol de iniciativas gratuitas do BC.
- Controle total: o usuário gerencia a própria exposição, sem depender de cartório, bancos ou longos telefonemas.
- Redução de estresse: evita-se todo o processo de contestar dívidas e limpar nome após fraude consumada.
- Compatibilidade com Pix e Open Finance: o bloqueio não afeta transações em contas já existentes.
Limitações e cuidados necessários
Embora adicione uma camada robusta de segurança, o BC Protege+ não substitui outras boas práticas de proteção digital:
- Manter senhas fortes e uso de token ou biometria;
- Evitar compartilhamento de documentos por aplicativos de mensagem;
- Conferir extratos e notificações com frequência;
- Atualizar antivírus e sistemas operacionais.
Ademais, a própria autarquia reforça que a ferramenta não impede golpes que utilizam contas já existentes, como invasões de aplicativos bancários por meio de phishing ou malware. O bloqueio atua apenas no momento da abertura de novos cadastros.
Procedimentos para reverter bloqueios indevidos
Em eventual erro ou tentativa legítima de abertura em nome de um usuário que tenha esquecido o bloqueio ativo, a jornada foi pensada para ser simples. O interessado deve:
- Realizar login no Meu BC com conta gov.br;
- Selecionar “Pausar Proteção” antes de concluir a proposta de conta na instituição desejada;
- Definir data de reativação automática, evitando exposição prolongada.
Não há período mínimo obrigatório de suspensão. Isso significa que é possível desativar pela manhã, finalizar a abertura no mesmo dia e reagendar a reativação para a madrugada seguinte.
Imagem: Internet
Reflexos no combate a golpes digitais
A popularização do serviço surge em meio à repercussão de possíveis fraudes envolvendo o Banco Master, investigado por abrir contas para empresas de fachada usadas em golpes de pirâmide financeira. Casos como esse ilustram como criminosos se valem da abertura expedita de contas virtuais para movimentar grandes somas rapidamente.
Especialistas avaliam que, com 1 milhão de CPFs e CNPJs já blindados, a tarefa de criar empresas fantasmas torna-se mais custosa e arriscada para quem age fora da lei. A barreira técnica não resolve a totalidade do problema, mas amplia o esforço necessário para burlar o sistema, deslocando fraudadores para alvos menos protegidos.
Aderência a políticas de privacidade e LGPD
Outro ponto de interesse é a conformidade do BC Protege+ com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). O Banco Central armazena apenas a informação “bloqueio ativado” associada ao CPF ou CNPJ — dado suficiente para consulta, mas insuficiente para traçar perfis ou divulgar informações sensíveis.
Além disso, o usuário pode, a qualquer momento, solicitar a exclusão definitiva do registro, o que atende ao princípio de autodeterminação informativa previsto na LGPD. Todos os acessos às APIs de verificação são monitorados, garantindo rastreabilidade e minimizando uso indevido.
O diálogo com iniciativas internacionais
Serviços semelhantes existem em outros mercados. No Reino Unido, por exemplo, o sistema “CIFAS Protective Registration” permite que consumidores sinalizem risco de fraude. Nos Estados Unidos, as agências de crédito Experian, Equifax e TransUnion oferecem credit freeze, mecanismo que congela consultas ao arquivo de crédito para novas aberturas de conta.
O diferencial brasileiro reside na centralização no regulador do sistema financeiro, em vez de empresas privadas de análise de crédito. Isso garante amplitude: todos os bancos, sem exceção, têm o dever regulatório de checar o cadastro, independentemente de convênios comerciais.
Passo a passo detalhado para ativar o BC Protege+
Para quem deseja aderir à solução, segue um guia objetivo:
- Crie ou atualize sua conta gov.br: eleve-a ao nível prata (por reconhecimento facial no aplicativo gov.br ou validação bancária) ou ouro (validação biométrica em tempo real pelo TSE).
- Habilite a verificação em duas etapas: acesse “Segurança” no gov.br e ative recebimento de código por aplicativo autenticador ou e-mail.
- Acesse o Meu BC: no navegador, entre em bcb.gov.br → “Cidadão” → “Área Logada do Cidadão”.
- Escolha BC Protege+: dentro do painel, clique no card correspondente.
- Leia os termos: confirme ciência de que o bloqueio impede abertura automática de contas.
- Ative: confirme e aguarde a mensagem de sucesso.
- Verifique status: a tela exibe “Proteção Ativa” com data e hora da ativação.
Toda a operação leva menos de cinco minutos e pode ser feita tanto em computador quanto em dispositivos móveis.
Como a medida afeta a inovação financeira?
Alguns analistas levantaram a preocupação de que bloqueios excessivos poderiam frear a inovação, já que fintechs contam com cadastro ágil para conquistar consumidores. No entanto, o BC Protege+ implementa-se de forma opcional e reversível, estimulando boas práticas de “know your customer” (KYC) sem criar barreiras de entrada indiscriminadas.
Em nota técnica, o Banco Central reforçou que a ferramenta complementa e não substitui os protocolos KYC exigidos pela Circular 3.978/2020, a qual dispõe sobre prevenção à lavagem de dinheiro. Desse modo, as instituições devem continuar coletando documento, selfie e cruzando bases, mas ganham mais um indicador para compor a análise de risco.
Próximos passos e possíveis aprimoramentos
Embora não haja cronograma oficial divulgado, o Banco Central estuda aperfeiçoamentos, como:
- Envio de push notifications ao celular sempre que uma instituição consultar o CPF ou CNPJ bloqueado;
- Integração com o Sistema Valores a Receber, evitando que golpistas resgatem saldos esquecidos em contas antigas;
- Relatórios trimestrais públicos sobre tentativas de abertura frustradas, preservando anonimato.
Tais novidades dependerão de testes de infraestrutura e de análises sobre o impacto na privacidade dos usuários, mantendo alinhamento às normas do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Visão de longo prazo
A aceleração da digitalização bancária é um caminho sem volta. Com ela, fraudadores sofisticam técnicas, mas também surgem soluções regulatórias igualmente avançadas. O BC Protege+ simboliza uma mudança de postura: o regulador não espera apenas que o mercado reaja; ele mesmo concebe ferramentas efetivas.
Em menos de meio ano, a iniciativa angariou 1 milhão de adeptos, fato que demonstra não só a gravidade do problema de identidade digital, mas também o apetite do brasileiro por medidas concretas de defesa. Como toda tecnologia de segurança, seu sucesso final dependerá de atualização constante, divulgação ampla e adoção em massa.
Conclusão
Ao atingir 1 milhão de ativações, o BC Protege+ bloqueia contas falsas e firma-se como aliado essencial de consumidores e empresas na luta contra fraudes bancárias. Simples de usar, gratuito e respaldado em regulação, o serviço inaugura um novo padrão de proteção preventiva no sistema financeiro nacional. Para quem valoriza tranquilidade e controle sobre dados pessoais, a recomendação é clara: ativar o bloqueio e manter vigilância contínua sobre movimentações financeiras.
Com informações de InfoMoney

