Golpe do CNPJ no WhatsApp: entenda e proteja seu pequeno negócio

O Golpe do CNPJ no WhatsApp tem se espalhado com velocidade entre micro e pequenos empreendedores em todo o país, prometendo “regularização imediata” e “descontos imperdíveis” para quem supostamente possui débitos com a Receita Federal.

Nas últimas semanas, a Ouvidoria do Sebrae registrou uma escalada de denúncias desses contatos fraudulentos, que exploram a ansiedade típica do início do ano — período de declarações fiscais e reenquadramentos no Simples Nacional — para convencer empresários a efetuar pagamentos indevidos.

Neste artigo, apresentamos uma análise aprofundada, com orientações práticas, panorama estatístico e diretrizes oficiais, para que você identifique, compreenda e neutralize qualquer tentativa de fraude que envolva seu CNPJ.

O que é o Golpe do CNPJ no WhatsApp

Trata-se de uma engenharia social em que criminosos enviam mensagens, geralmente pelo WhatsApp, e reforçam a narrativa de que a empresa corre risco iminente de suspensão ou até cassação do CNPJ em razão de dívidas inexistentes. O expediente ganhou força depois que golpistas passaram a incluir o logotipo do Simples Nacional e links de pagamento instantâneo, imitando boletos ou páginas do governo federal.

O intuito é induzir o empresário a pagar taxas inexistentes ou a fornecer dados sensíveis, como senhas de acesso ao portal Gov.br. Em alguns casos, o falso boleto cobra valores aparentemente baixos — entre R$ 95 e R$ 390 — para evitar grandes desconfianças e garantir maior taxa de conversão das vítimas.

Como os golpistas abordam os empreendedores

Os criminosos utilizam múltiplos canais para aumentar a credibilidade da fraude. Mesmo que o disparo inicial ocorra no WhatsApp, é comum que o golpe se desdobre em:

E-mail corporativo: mensagens “urgentes” que reproduzem selos do Ministério da Economia e frases como “Última Notificação” ou “Extrajudicial”.

SMS: links encurtados que prometem regularização em poucos cliques.

Telefonema: pseudo-consultores que se oferecem para “intermediar” a negociação da dívida.

Principais modalidades de fraude detectadas

DAS-MEI falso

Nessa modalidade, o golpista envia um boleto de Contribuição Mensal do MEI já vencido, oferecendo “desconto de 50% para quitação no mesmo dia”. O código de barras, no entanto, direciona o pagamento para uma conta de pessoa física vinculada ao criminoso.

Falsa obrigatoriedade de filiação

Empresários recebem mensagens afirmando que, para continuar atuando como MEI, é preciso se filiar a determinada entidade de classe. O suposto cadastro custa poucas centenas de reais e viria acompanhado de “suporte jurídico gratuito”. Trata-se de completa invenção: a filiação não é exigida por lei.

Empréstimos milagrosos

Pequenos negócios, muitas vezes à procura de capital de giro, são contatados por “correspondentes bancários” que oferecem crédito imediato mediante pagamento de “taxa de liberação”. Após o depósito, o dinheiro prometido nunca chega.

Taxa de formalização

Sites que copiam a identidade visual do portal Gov.br cobram “tarifa de abertura” para registro de MEI. A formalização oficial é 100% gratuita, instantânea e só pode ser feita pelo endereço gov.br/mei.

Por que os pequenos negócios são alvo

Microempreendedores individuais e empresas de pequeno porte, em geral, não contam com departamentos jurídicos ou de compliance robustos. Além disso, a sobrecarga de tarefas administrativas faz com que muitos se apoiem em facilitadores digitais para resolver obrigações fiscais, tornando-os mais suscetíveis a links maliciosos.

Outro fator é a sazonalidade. Entre janeiro e março ocorrem compromissos como entrega da Declaração Anual de Faturamento do MEI (DASN-SIMEI) e opção pelo Simples Nacional. O clima de urgência, combinado ao receio de sanções, cria terreno fértil para aproveitadores.

Como verificar a autenticidade das mensagens

Antes de clicar em qualquer link ou pagar um boleto, execute o seguinte checklist:

1. Analise o remetente: domínios oficiais do governo terminam em “.gov.br”. Divergências sutis, como “.gov-br.com”, indicam fraude.

2. Consulte canais oficiais: acesse o portal e-Cac da Receita Federal ou o aplicativo do Sebrae. Nunca utilize atalhos enviados por terceiros.

3. Observe o código de barras: boletos federais começam, regra geral, com “8364” ou “858”, dependendo do banco recebedor. Quaisquer algarismos discrepantes devem ser questionados.

4. Pesquise no Diário Oficial: sanções reais, como cancelamento de CNPJ, são publicadas oficialmente. A ausência de registro reforça a hipótese de golpe.

Passo a passo para se proteger

1. Mantenha um canal de e-mail exclusivo para notificações fiscais, filtrando comunicações pessoais.

2. Habilite a verificação em duas etapas no Gov.br. Isso impede que terceiros acessem informações sensíveis mesmo que obtenham sua senha.

3. Atualize o antivírus e utilize extensões de navegador que bloqueiam phishing.

Golpe do CNPJ no WhatsApp: entenda e proteja seu pequeno negócio - Imagem do artigo original

Imagem: André Gomes

4. Agende, no começo de cada mês, a emissão do DAS diretamente no site oficial. Assim você cria rotina e não dependerá de lembretes externos.

5. Registre o número do golpista e replique o alerta em grupos empresariais, fortalecendo a rede de proteção coletiva.

O que fazer se você já caiu no golpe

1. Registre um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou na Delegacia de Crimes Cibernéticos do seu estado. Documente prints de tela, comprovantes de pagamento e histórico de mensagens.

2. Acione o banco imediatamente. Embora a devolução do Pix não seja garantida, muitas instituições conseguem bloquear valores se o contato for feito em até 24 horas.

3. Informe a Ouvidoria do Sebrae (0800 570 0800) para que novos alertas sejam divulgados. Quanto mais dados, maior a chance de rastrear padrões e derrubar canais falsos.

4. Atualize senhas de todos os sistemas contábeis e cadastros governamentais, sobretudo se você clicou em links desconhecidos.

Orientações oficiais do Sebrae e Receita Federal

A Ouvidoria do Sebrae destaca que qualquer dúvida deve ser solucionada por meio de:

Portal Sebrae: sebrae.com.br
Aplicativo Sebrae: disponível para Android e iOS
Atendimento telefônico: 0800 570 0800

Já a Receita Federal mantém o e-Cac como ambiente autenticado para consultar pendências fiscais. Nenhuma regularização de CNPJ é feita via WhatsApp.

Impactos econômicos e psicológicos das fraudes

Perder recursos em golpes digitais não afeta apenas o caixa da empresa. Há consequências intangíveis que incluem:

Redução de capital de giro: valores pagos indevidamente podem comprometer aquisições de matéria-prima e folha de pagamento.

Abalo de confiança: o empreendedor passa a desconfiar até mesmo de comunicações legítimas, atrasando processos administrativos.

Estresse e ansiedade: a sensação de exposição fragiliza a tomada de decisão e, em casos extremos, leva à paralisia operacional.

Boas práticas digitais para o dia a dia do empreendedor

Educação continuada: reserve tempo semanal para atualizar-se sobre novas armadilhas virtuais divulgadas por entidades de classe.

Política de senhas: altere combinações a cada 90 dias, evitando termos óbvios como “empresa123”.

Duplo fator de autenticação: implemente sempre que disponível, inclusive em redes sociais corporativas.

Backup frequente: guarde cópias de segurança de documentos fiscais em nuvem e em dispositivo externo desconectado.

Verificação de fornecedores: antes de contratar serviços de contabilidade online, pesquise CNPJ, reputação e depoimentos.

Conclusão

O Golpe do CNPJ no WhatsApp é mais um capítulo da sofisticada engenharia social que mira o elo aparentemente mais frágil da cadeia empresarial: o micro e pequeno empreendedor com tempo escasso e múltiplas obrigações fiscais. A boa notícia é que informação, rotina de verificação e uso de canais oficiais formam um escudo sólido contra armadilhas. Compartilhe este conteúdo com sua rede, adote as práticas descritas e contribua para um ambiente de negócios mais seguro.


Com informações de Agência Sebrae de Notícias

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