O Crescimento de negócios no Carnaval brasileiro alcançou 15% entre 2023 e 2025, segundo levantamento do Sebrae, e passou a ser um verdadeiro motor para micro e pequenos empreendimentos espalhados pelo país.
Embora a folia seja sinônimo de música e diversão, o feriado também movimenta setores como confecção de abadás, alimentação, hospedagem e serviços de apoio, consolidando-se como vitrine de geração de emprego e renda.
Neste artigo, você entenderá como esse avanço se reflete na prática, quais segmentos mais se beneficiam e por que a experiência de marca, exemplificada pelo Camarote Viva Bahia, se tornou estratégica para consolidar a força dos pequenos negócios na maior festa popular do Brasil.
O que motiva o salto de 15% nas aberturas de empresas?
De acordo com o estudo divulgado em 11 de fevereiro de 2025 pela plataforma DataSebrae, o volume de CNPJs ligados diretamente a atividades carnavalescas subiu 15% se comparado ao biênio anterior. A estatística contempla ramos como:
• Fabricação de fantasias e adereços;
• Organização de festas e eventos;
• Produção musical e sonora;
• Comercialização de alimentos e bebidas em circuito de rua;
• Serviços de transporte e receptivo turístico.
Esses dados sinalizam que a festividade ganhou status de temporada econômica, capaz de aquecer micro e pequenas empresas (MPEs) mesmo fora dos setores tradicionalmente associados a eventos.
Salvador lidera o ritmo com alta de 17,4%
A capital baiana, reconhecida internacionalmente pelos seus trios elétricos, superou a média nacional e registrou incremento de 17,4% no número de novos negócios relacionados ao Carnaval. O impulsionamento se deve a três fatores principais:
1. Turismo interno e internacional
A cidade recebe milhões de foliões, o que expande vertiginosamente a demanda por hospedagem, transporte, alimentação e entretenimento.
2. Ecossistema de fornecedores locais
A tradição carnavalesca fomenta parceria entre grandes promotores, blocos e camarotes com empreendedores de bairros periféricos e do centro histórico.
3. Apoio institucional do Sebrae
Programas de capacitação, orientações financeiras e feiras de negócios funcionam como pontes para que microempresas prestem serviços a projetos de grande visibilidade.
Camarote Viva Bahia: vitrine de branding e desenvolvimento
Um dos cases mais emblemáticos em 2025 foi a ação do Sebrae no Camarote Viva Bahia. A iniciativa adotou uma estratégia de experiência de marca que envolveu quase 90% de fornecedores enquadrados como MPEs. Entre os pontos de destaque:
• Curadoria de empreendimentos locais para food service, customização e logística;
• Exposições artísticas de criadores baianos;
• Ativações de marketing que evidenciaram o papel social e econômico das MPEs.
Para Ana Paula Garcia, coordenadora nacional da Marca Sebrae, “o espaço se converteu num laboratório vivo. Ao aproximar o público do universo empreendedor, reforçamos a percepção de que cada fantasia ou cocktail servido ali é fruto do trabalho de negócios locais”.
Jyreh Soluções: gestão de limpeza que gera 200 empregos sazonais
Fundada em 2023, a Jyreh Soluções é exemplo de como o Carnaval pode acelerar o crescimento de empresas jovens. Sediada em Salvador, a microempresa mantém cerca de 30 colaboradores fixos, mas, no período de folia, contrata entre 150 e 200 profissionais temporários para dar conta de demandas de limpeza, apoio logístico e recepção.
Segundo a empreendedora Ariane dos Reis Santos, os contratos firmados com grandes eventos, como o Camarote Viva Bahia, funcionam como um “bônus vital” sobre a receita mensal, garantindo capital de giro e exposição de marca que se estende ao longo do ano.
Thereza Priore Moda Autoral: costura criativa que dobra a equipe em fevereiro
Com 16 anos de história, a Thereza Priore Moda Autoral Brasileira ilustra a relevância dos ateliês de confecção de abadás customizados. Ao longo do ano, a marca opera com cinco funcionários, mas, durante o Carnaval, triplica a equipe chegando a 15 profissionais para personalizar camisas de foliões e convidados VIPs.
A fundadora relata que o faturamento extra garante equilíbrio financeiro em um mês tradicionalmente fraco para o varejo de moda. Além disso, a oportunidade de atender um camarote de grande visibilidade projeta a marca em redes sociais e gera pedidos futuros de fora do estado.
A cadeia produtiva que gira em torno da festa
Quando se fala em Carnaval, pensa-se imediatamente em fantasias e música. Contudo, a engrenagem econômica é muito mais ampla. Veja alguns elos da cadeia:
Hospedagem e meios de acomodação
Pequenos hotéis, hostels e pousadas representam 84,1% dos estabelecimentos na Bahia, segundo o Sebrae. Muitos proprietários investem em pacotes temáticos, check-in agilizado e parcerias com blocos para oferecer experiências completas.
Alimentação fora do lar
Bares, restaurantes e food trucks transformam cardápios para adaptar-se a foliões que comem em pé ou em horários alternativos. O índice de MPEs no segmento chega a 98,6%.
Transporte e receptivo
Motoristas de aplicativos, agências de turismo receptivo e locadoras de vans compõem 97% do setor na Bahia. A alta procura impulsiona ajustes na frota e contratações temporárias.
Economia criativa
Produtores culturais, fotógrafos, maquiadores e massoterapeutas engajam-se em contratos sazonais, oferecendo serviços em camarotes, trios e camarins.
Por que a experiência de marca se tornou obrigatória?
No passado, muitas empresas investiam apenas em publicidade convencional. Hoje, ações de live marketing em eventos como o Carnaval entregam:
• Interação direta com o consumidor num momento de emoções positivas;
• Geração de conteúdo espontâneo em redes sociais, maximizando alcance da marca;
• Mensuração de resultados em tempo real, por meio de QR Codes e cupons digitais.
Imagem: Matheus Souza
Para pequenos empreendedores, participar de um camarote ou bloco não significa somente faturamento imediato. A experiência de servir centenas de pessoas em poucos dias pode capacitar equipes, refinar processos e evidenciar diferenciais competitivos, abrindo portas para contratos anuais.
Impacto social: empregabilidade e distribuição de renda
Além do aspecto financeiro, a alta na abertura de empresas cria oportunidades de trabalho formal e informal. Em Salvador, estima-se que cada microempresa de alimentação empregue de três a cinco pessoas temporárias durante a folia. Serviços como segurança, montagem de estruturas e logística também absorvem mão de obra local dos bairros mais populares.
Essa circulação de renda contribui para dinamizar a economia de base comunitária, pois parte significativa dos ganhos retorna em consumo nos próprios bairros—de mercearias a lojas de material escolar. O resultado é um efeito multiplicador que ultrapassa o período carnavalesco.
Desafios que ainda precisam de atenção
Apesar das boas perspectivas, alguns gargalos persistem:
Formalização e acesso a crédito
Muitos empreendedores atuam de maneira informal e não possuem histórico financeiro suficiente para pleitear financiamentos que poderiam ampliar capacidade produtiva.
Logística urbana
Bloqueios de ruas e horários restritivos podem dificultar entregas de insumos e deslocamento de funcionários. Planejar rotas alternativas é essencial.
Sustentabilidade
Lidar com resíduos sólidos gerados por multidões requer soluções conjuntas entre poder público, patrocinadores e fornecedores para minimizar impactos ambientais.
Como o Sebrae tem atuado para fortalecer o segmento
O Sebrae adota uma agenda proativa, que engloba:
• Programas de capacitação em gestão financeira e marketing digital;
• Rodadas de negócios que aproximam MPEs de grandes contratantes;
• Disponibilização de mentorias individuais para adequação jurídica e contábil;
• Plataformas de dados, como o DataSebrae, que orientam planejamento estratégico.
Todas essas ações convergem para criar um ambiente propício ao empreendedorismo sustentável, permitindo que o Crescimento de negócios no Carnaval seja aproveitado com segurança e visão de longo prazo.
Perspectivas para os próximos anos
Diante do aumento consistente nas aberturas de empresas, especialistas projetam que o Carnaval continuará funcionando como uma alavanca de inovação. Tendências como digitalização de vendas, realidade aumentada em camarotes e produtos ecológicos tendem a ganhar espaço.
Outro ponto é a interiorização de festividades. Cidades médias, inspiradas no sucesso de capitais como Salvador e Recife, devem estruturar folias regionais, ampliando ainda mais o raio de oportunidades para MPEs.
Dicas práticas para quem quer empreender no Carnaval
1. Estude o calendário oficial
Identificar datas de abertura de licitações ou inscrições para feiras e camarotes permite planejar estoque e equipe.
2. Formalize-se como MEI ou microempresa
Além de facilitar a emissão de notas fiscais, a formalização abre portas para crédito e torna o negócio elegível a editais públicos.
3. Invista em diferenciação
Produtos personalizados, cardápios regionais e embalagens sustentáveis geram valor agregado e fidelização.
4. Desenvolva presença digital
Divulgar bastidores da produção e depoimentos de clientes em redes sociais amplia alcance e consolida a marca.
5. Busque parcerias estratégicas
Unir-se a artesãos, músicos ou agências de turismo cria pacotes que elevam tíquete médio e atraem públicos variados.
Conclusão: folia que gera prosperidade
O avanço de 15% nas aberturas de empresas ligadas ao Carnaval comprova que a festa é muito mais do que diversão: ela é um terreno fértil para inovação, renda e inclusão social. Casos de sucesso como Jyreh Soluções e Thereza Priore evidenciam que, com planejamento e apoio institucional, pequenos negócios podem alcançar visibilidade nacional.
Seja você empreendedor experiente ou iniciante, entender a lógica do Crescimento de negócios no Carnaval pode ser o passo decisivo para transformar criatividade em receita duradoura. Afinal, quando a batida do tambor ecoa pelas ruas, ela embala também oportunidades que podem impulsionar o futuro econômico de inúmeros brasileiros.
Com planejamento, capacitação e alianças estratégicas, a folia se renova ano a ano, mantendo viva a chama da cultura e do empreendedorismo nacional.
Com informações de Agência Sebrae de Notícias

