O Congresso Inovação da Indústria entra na reta final de preparativos e, dentro de exatamente um mês, promete transformar o WTC, em São Paulo, no maior polo de debate sobre tecnologia, sustentabilidade e competitividade do setor produtivo latino-americano. A 11ª edição, marcada para os dias 25 e 26 de março, colocará Inteligência Artificial, transição energética, deep techs e economia circular no centro das discussões, reafirmando o protagonismo brasileiro no diálogo sobre futuro industrial.
Realizado pela Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) em correalização com o Sistema Indústria — CNI, Sesi, Senai, IEL — e o Sebrae, o encontro permanece gratuito, reunindo lideranças empresariais, pesquisadores, representantes de governo e startups. Para quem acompanha tendências de mercado ou busca apoio à inovação, o Congresso Inovação da Indústria tornou-se parada obrigatória no calendário nacional.
Panorama geral: por que a 11ª edição é estratégica
Os últimos anos consolidaram dois vetores que redefinem o papel da indústria brasileira: a transição ecológica e a transformação digital. O 11º Congresso chega em um momento decisivo, quando cadeias de suprimentos sofrem disrupções geopolíticas sem precedentes e a adoção de tecnologias emergentes — de IA generativa a biotecnologia de ponta — deixa de ser diferencial e passa a ser pré-requisito para a competitividade global.
Ao longo de dois dias, mais de mil participantes circularão por duas arenas simultâneas. A configuração foi desenhada para equilibrar perspectivas amplas, como modelos de financiamento à inovação, com painéis focados em nichos altamente técnicos, caso da integração entre deep techs e chão de fábrica. Dessa forma, dirigentes de grandes corporações, gestores públicos, empreendedores e investidores terão acesso a trilhas de conteúdo coerentes com diferentes estágios de maturidade tecnológica.
Estrutura do evento: duas arenas complementares
A Arena 1, com 600 lugares, abrirá espaço para macrotendências globais. A programação inclui:
• Disrupções geopolíticas: análise de riscos em cadeias industriais internacionais.
• Inteligência Artificial: impactos da IA generativa na produtividade e nos modelos de negócios.
• Formação profissional: estratégias para qualificar o capital humano diante da automação.
• Transição energética: caminhos para reduzir emissões sem comprometer competitividade.
• Bioeconomia e COP-30: papel do Brasil rumo à próxima Conferência do Clima.
• Saúde digital: convergência entre dispositivos conectados, IA e personalização de tratamentos.
Já a Arena 2, com 400 assentos, oferecerá curadoria voltada à aproximação entre a indústria tradicional e o universo das deep techs. Pela primeira vez, startups com base científica de alta complexidade ocuparão o centro do palco, discutindo:
• Biodiversidade amazônica: gargalos e oportunidades para biotecnologias regionais.
• Economia circular: cases de upcycling, design regenerativo e rastreabilidade.
• Capital de risco: tendências de investimento em ciência profunda no Brasil.
• Arte e IA: interseções criativas que ampliam a adoção industrial.
• Agroindústria 4.0: automação de processos, sensores inteligentes e gestão de dados no campo.
Temáticas centrais em detalhe
Para contextualizar a relevância dos tópicos escolhidos, vale mergulhar nos principais desafios e oportunidades que cada área traz ao país.
1. Inteligência Artificial e produtividade industrial
A IA já se consolida como motor de ganhos de eficiência operacional. No ambiente fabril, algoritmos de visão computacional monitoram linhas de produção em tempo real, enquanto modelos de machine learning preveem falhas e ajustam parâmetros antes que ocorram paradas. Apesar de seu potencial, a adoção enfrenta barreiras ligadas à escassez de profissionais qualificados e à fragmentação de dados empresariais. O Congresso oferecerá estudos de caso e debates sobre governança algorítmica, cibersegurança e ética, pontos críticos para mitigar riscos e acelerar a implementação.
2. Transição energética e indústria de baixo carbono
Com a COP-30 no horizonte, o Brasil busca conciliar metas de descarbonização às exigências de competitividade internacional. Setores intensivos em energia — siderurgia, químico, cimento — precisam avançar em hidrogênio verde, captura e armazenamento de carbono (CCUS) e eletrificação de rotas produtivas. O Congresso colocará especialistas para debater políticas públicas integradas, mecanismos de precificação de carbono e incentivos financeiros, visando a criação de uma matriz industrial alinhada ao Acordo de Paris.
3. Geopolítica global e cadeias de suprimentos
Entre tensões comerciais, conflitos regionais e restrições logísticas, as cadeias industriais tornaram-se mais vulneráveis. O Brasil enxerga oportunidade para atrair investimentos de nearshoring e fortalecer a integração regional na América Latina. Nos painéis, consultores internacionais e representantes do governo discutirão o reposicionamento estratégico do país, abordando desde acordos de livre-comércio até a diversificação de insumos críticos.
4. Deep techs como parceiras da indústria
Startups classificadas como deep techs partem de descobertas científicas robustas para desenvolver produtos com barreiras tecnológicas significativas. Sua maturação requer ciclos de capital mais longos e risco elevado, mas, quando bem-sucedidas, geram vantagens competitivas duradouras. A Arena 2 permitirá matchmaking entre fundadores e gestores industriais, reforçando pontes para testes-piloto, linhas de crédito e aquisição de tecnologia.
5. Capital humano e requalificação profissional
O avanço da automação cria um paradoxo: elimina funções mecânicas repetitivas, mas abre vagas especializadas em manutenção de robôs, análise de dados e desenvolvimento de software embarcado. Entidades como Senai e IEL apresentarão programas de capacitação que aliam metodologias hands-on, microcertificações e aprendizagem baseada em projetos. O debate envolverá a urgência de políticas públicas para reduzir hiatos de competências e ampliar a empregabilidade diante da Indústria 4.0.
6. Economia circular e biodiversidade
A abundância de recursos naturais brasileiros pode converter-se em diferencial competitivo se aliada a modelos produtivos regenerativos. Painéis dedicados à economia circular trarão exemplos de rotulagem ambiental, rastreabilidade via blockchain e design de produtos para desmontagem. Já a discussão sobre biodiversidade focará na bioindústria amazônica, mostrando oportunidades em fármacos, cosméticos e alimentos funcionais derivados de ativos florestais, sempre sob a ótica da conservação.
Histórico e evolução do Congresso
Desde a primeira edição, o evento cresceu até posicionar-se como um dos maiores fóruns de inovação industrial da América Latina. Ao longo dos anos, painéis sobre manufatura avançada, internet das coisas e indústria 4.0 prepararam o terreno para temas que hoje dominam agendas globais, como IA generativa e transição energética. Essa trajetória demonstra a capacidade da MEI e do Sistema Indústria de antecipar tendências e fomentar um ecossistema colaborativo.
Prêmio Nacional de Inovação: reconhecimento que estimula excelência
Um dos pontos altos do programa é o anúncio dos vencedores do Prêmio Nacional de Inovação. Empresas, ecossistemas e pesquisadores finalistas aguardam o resultado para coroar projetos que combinam criatividade, sustentabilidade e viabilidade econômica. A premiação reforça a importância de alinhar a inovação à geração de valor para a sociedade, incentivando boas práticas em gestão, desenvolvimento tecnológico e cultura organizacional.
Quem deve participar e por quê
A curadoria do Congresso foca em públicos diversos:
• Lideranças empresariais: acesso a insights estratégicos para redesenhar mapas de risco e identificar oportunidades de investimento.
• Startups e empreendedores: networking com corporações interessadas em open innovation, além de contato com investidores de capital de risco e representantes de fundos públicos.
• Pesquisadores e ICTs: vitrine para projetos de base científica, incremento de parcerias e alinhamento de agendas tecnológicas nacionais.
• Gestores públicos: benchmark internacional sobre instrumentos de política industrial e fomento à inovação.
• Profissionais de educação: atualização sobre métodos de ensino voltados à era das competências digitais.
Imagem: Tulio Vidal
Inscrições: como garantir presença e se preparar
As inscrições gratuitas estão abertas no site oficial do Congresso. Como o número de vagas é limitado à capacidade das arenas, recomenda-se cadastro antecipado. Após a confirmação, os participantes receberão orientações logísticas sobre credenciamento eletrônico, horários de abertura e protocolos de segurança.
Para maximizar o aproveitamento, os organizadores sugerem que cada participante estruture previamente a agenda, selecionando painéis prioritários. Uma estratégia eficaz é alternar sessões de conteúdo amplo, na Arena 1, com discussões técnicas ou de nicho, na Arena 2, garantindo equilíbrio entre visão macro e ações práticas.
O papel do Sebrae e do Sistema Indústria
Parceiros históricos da inovação nacional, Sebrae, CNI, Senai, Sesi e IEL unem expertises complementares. Enquanto o Sebrae se dedica ao fortalecimento das micro e pequenas empresas, as entidades do Sistema Indústria concentram esforços em qualificação profissional, pesquisa aplicada e advocacy de políticas públicas. A sinergia multiplica o alcance de programas de apoio financeiro, consultorias tecnológicas e incubação de negócios.
Patrocínio e apoio institucional
A edição 2024 conta com patrocínio master da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), do Grupo Boticário e da Bosch. A participação de companhias com histórico sólido de P&D reforça a credibilidade do evento e amplia a vitrine para projetos que buscam escalabilidade. Ao destinar recursos, as patrocinadoras sinalizam compromisso com a construção de uma economia de baixo carbono, digital e inclusiva.
Expectativas de impacto econômico e social
Ao fomentar o diálogo entre diferentes elos da cadeia de valor, o Congresso Inovação da Indústria estimula a transferência de conhecimento e a formação de parcerias que podem gerar efeitos multiplicadores. Estudos da CNI indicam que cada real investido em inovação industrial tem potencial de retornar múltiplos em receita, produtividade e empregos de maior qualidade. Embora os números específicos variem conforme setor e projeto, a correlação positiva entre P&D e competitividade é ponto pacífico entre economistas.
No front social, a promoção de soluções baseadas em economia circular, bioeconomia e saúde digital contribui para metas de desenvolvimento sustentável, reduzindo desigualdades e aprimorando serviços públicos. A integração de deep techs, por sua vez, incentiva vocações regionais e descentraliza a inovação, abrindo oportunidades fora dos grandes centros.
Como a Inteligência Artificial deve dominar a agenda
Se o assunto IA já era recorrente em rodadas anteriores, a chegada da geração de grandes modelos de linguagem e de imagem elevou o debate a um novo patamar. No evento, espera-se ênfase em:
• Democratização da IA: plataformas low-code/no-code permitem que empresas de menor porte desenvolvam aplicações próprias.
• IA explicável: regulação emergente na União Europeia e nos Estados Unidos pressiona a adoção de sistemas transparentes.
• Segurança cibernética: aumento das superfícies de ataque exige modelos defensivos baseados em IA.
• Eficiência energética: otimização de data centers para reduzir a pegada de carbono do treinamento de modelos.
Deep techs e os desafios de financiamento
Embora o volume de capital de risco destinado a startups tenha encolhido globalmente em 2023, deep techs mantiveram certa resiliência por resolverem problemas estruturais de alta complexidade. Fundos especializados e bancos de desenvolvimento, como BNDES e Finep, ainda veem nelas potencial de retorno de longo prazo, sobretudo em setores como química verde, novos materiais e semicondutores. O Congresso apresentará iniciativas de blended finance que combinam recursos públicos e privados para mitigar riscos tecnológicos.
Transição energética: do discurso à prática
Sair do papel e migrar para modelos de produção renováveis requer decisões de investimento robustas. As discussões devem abordar:
• Incentivos fiscais: crédito presumido para uso de bioenergia e equipamentos de baixo carbono.
• Modelos de PPA (Power Purchase Agreement): contratos de compra de energia limpa para estabilizar custos.
• Hidrogênio verde: roadmap de pesquisa, certificação e infraestrutura logística.
• Economia do carbono: precificação e comércio de créditos como fontes de receita acessória.
Economia circular e a reinvenção dos resíduos
Casos bem-sucedidos de circularidade apresentam ganhos de margem, reputação de marca e aderência a regulações ambientais mais rígidas. No encontro, líderes industriais demonstrarão estratégias de design para desmontagem, upcycling de polímeros e uso de gêmeos digitais para rastrear fluxo de materiais. A presença de startups de logística reversa e marketplaces de sobras industriais deve enriquecer o debate.
Serviço: datas, local e inscrição
11º Congresso de Inovação da Indústria
Data: 25 e 26 de março
Local: WTC São Paulo
Inscrições: gratuitas, realizadas pelo site oficial
Os painéis acontecerão das 9h às 18h, com intervalo para networking e visita a estandes temáticos. Haverá transmissão online de parte da programação, ampliando o alcance para quem não puder comparecer presencialmente.
Conclusão: um chamado à ação para a inovação nacional
Com a aproximação da 11ª edição, o Congresso Inovação da Indústria reafirma sua importância estratégica: conectar players, antecipar tendências e acelerar a adoção de tecnologias capazes de impulsionar a produtividade brasileira. Seja você gestor de uma multinacional, fundador de startup ou pesquisador em busca de parceiros, o encontro oferece acesso privilegiado a conhecimento, redes de contato e oportunidades reais de negócios. Faltando apenas um mês, a recomendação é garantir a vaga e preparar-se para dois dias de intensas trocas que podem definir os próximos passos da jornada industrial do país.
Com informações de Agência Sebrae de Notícias

