Arte como negócio rentável: visão empreendedora de Tiago Abravanel

Arte como negócio rentável é a expressão que guia a fala do ator e cantor Tiago Abravanel ao defender que profissionais da Economia Criativa adotem uma postura empresarial frente à própria carreira. Em entrevista concedida durante o Carnaval de Salvador, o artista destacou que, ao assumir o controle dos próprios projetos, ampliou oportunidades e fortaleceu sua presença no mercado.

No ambiente efervescente do Camarote Viva Bahia, Abravanel enfatizou a importância dos cursos gratuitos oferecidos pelo Sebrae para quem deseja unir talento artístico e gestão. Segundo ele, capacitação é o primeiro passo para equilibrar sensibilidade, sustentabilidade financeira e expansão de público.

Este artigo aprofunda a visão do artista, explica como o Sebrae apoia o segmento criativo, apresenta números que dimensionam o impacto dos pequenos negócios no país e indica caminhos práticos para transformar a arte em empreendimento sólido e duradouro.

Por que a arte precisa de gestão estratégica

Tratar a criação cultural como empresa não diminui seu valor estético; ao contrário, pode potencializá-lo. No Brasil, a Economia Criativa engloba atividades como música, teatro, audiovisual, design, moda e artes visuais. Nesse ecossistema, muitos profissionais dependem de editais ou convites de terceiros, cenário que torna a previsibilidade financeira baixa e a margem de manobra reduzida. Foi justamente ao enxergar esse ponto que Tiago Abravanel iniciou a própria virada — do ator de musicais ao produtor de espetáculos e conteúdos multiplataforma.

O raciocínio parte de uma lógica simples: se outros setores utilizam planejamento, marketing, análise de dados e gestão de fluxo de caixa para crescer, por que artistas não poderiam fazer o mesmo? A métrica de sucesso segue plural, pois envolve reconhecimento estético, impacto cultural, diálogo com públicos diversos e, claro, saúde financeira. Sem recursos, a criação perde fôlego. Com gestão, o artista garante autonomia para experimentar, arriscar e alcançar novas plateias.

Além disso, o cenário digital aumentou a competição global. Plataformas de áudio e vídeo permitem que qualquer criador publique conteúdo, mas também exigem domínio de algoritmos, técnicas de distribuição e estratégias de monetização. Nesse novo tabuleiro, ver a arte como negócio rentável deixou de ser opção: tornou-se quesito de sobrevivência.

O exemplo de Tiago Abravanel

Filho de família ligada ao entretenimento, Tiago Abravanel poderia acomodar-se a contratos tradicionais de TV e teatro. Contudo, escolheu produzir suas próprias peças, organizar equipes, negociar patrocínios e atuar em frentes variadas, do cinema aos blocos carnavalescos. Ele relata que essa postura lhe proporcionou visão artística mais ampla e presença constante do empreendedorismo no dia a dia.

Durante o Carnaval de Salvador de 2024, o artista circulou pelo espaço de ativação do Sebrae para reforçar o discurso. Entre uma canja e outra com bandas locais, concedeu entrevista em que reforçou: “Quando entendi que a minha arte também é um negócio, deixei de depender apenas de convites. Passei a criar oportunidades.” A afirmação ecoa em milhares de profissionais que buscam independência em um mercado historicamente instável.

Ao reconhecer a arte como negócio rentável, Abravanel converteu seu nome em marca. Isso envolve registro de propriedade intelectual, gestão de redes sociais, relacionamento com marcas parceiras e contratação de equipe multidisciplinar. A trajetória inspira e demonstra que, mesmo em setores regidos pela subjetividade, a organização profissional faz diferença concreta.

Como o Sebrae apoia a Economia Criativa

Fundado para fomentar o empreendedorismo de micro e pequenas empresas, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) ampliou, nos últimos anos, o olhar para a Economia Criativa. Por meio de consultorias, mentorias, oficinas e plataformas on-line, a instituição oferece capacitações que abordam desde formação de preço até marketing digital, legislação autoral e captação de recursos.

Em Salvador, a iniciativa ganhou visibilidade no Carnaval, festa que movimenta milhões de reais em turismo, gastronomia e prestação de serviços. No camarote patrocinado pela entidade, empreendedores de moda, alimentos e artes plásticas exibiram produtos para foliões e potenciais compradores. A proposta reforça a tese de que grandes eventos culturais podem funcionar como vitrines de negócios e, ao mesmo tempo, laboratórios de inovação.

Para quem atua na criação artística, os programas do Sebrae contemplam módulos sobre planejamento de carreira, elaboração de projetos para editais públicos, gestão de direitos autorais e preparação de portfólios. Tudo sem custo, facilitando o acesso de artistas independentes que frequentemente dispõem de orçamento restrito.

Carnaval de Salvador como vitrine de negócios

O Carnaval baiano exemplifica como entretenimento, turismo e microempresas se articulam. Estudo do governo local aponta que a festa injeta bilhões de reais na economia estadual, gerando oportunidades temporárias e contratos permanentes. Em 2025, segundo dados divulgados pelo Sebrae, oito em cada dez vagas formais criadas no país tiveram origem em pequenos negócios, muitos deles vinculados a eventos culturais.

No Circuito Barra-Ondina, camarotes funcionam como microcosmo de tendências. Marcas de bebida buscam rótulos regionais, boutiques lançam coleções cápsula inspiradas em ritmos afro-baianos, startups de logística testam soluções de entrega rápida. Dentro desse contexto, artistas como Tiago Abravanel entendem a relevância de estar presentes não apenas no palco, mas também nos bastidores, negociando parcerias, licenciando produtos e fortalecendo relações comerciais.

Considerar a arte como negócio rentável é enxergar que cada show atrai fornecedores, técnicos, cenógrafos, costureiras, produtores de conteúdo e profissionais de TI. Todos dependem de organização prévia, gestores financeiros e contratos claros. Quando a engrenagem roda de forma profissional, o resultado beneficia cadeia produtiva inteira.

Qualificação gratuita: oportunidades abertas

Uma das barreiras mais citadas pelos criadores independentes é o investimento necessário para frequentar cursos de gestão. As formações oferecidas pelo Sebrae eliminam essa limitação ao garantir capacitação sem cobrança de mensalidade. Na plataforma digital da instituição, artistas encontram trilhas de aprendizagem divididas por temas e níveis de complexidade.

O conteúdo passa por noções de fluxo de caixa, negociação com patrocinadores, precificação de serviços, marketing de relacionamento e uso estratégico de redes sociais. Além das aulas, mentorias coletivas conectam profissionais de diferentes estados, estimulando networking e troca de experiências. Para quem atua em regiões com menor acesso a polos culturais, essa rede virtual desponta como alternativa para romper barreiras geográficas.

Outro diferencial são os programas de acompanhamento contínuo. Especialistas acompanham participantes na elaboração de planos de negócio, analisam viabilidade financeira e sugerem ajustes de rota. Ao final do ciclo, o artista sai com roteiro claro para transformar talento em arte como negócio rentável, reduzindo a curva de aprendizado típica dos empreendimentos tradicionais.

Impacto dos pequenos negócios na economia brasileira

Os números falam por si: micro e pequenas empresas representam cerca de 95% dos CNPJs ativos no Brasil, respondem por quase um terço do Produto Interno Bruto (PIB) e concentram a maior parte da geração de empregos formais. Esses percentuais justificam o amplo investimento do Sebrae em programas de capacitação, inclusive no setor cultural.

Quando um fotógrafo, ilustrador ou compositor formaliza a atividade, passa a emitir notas fiscais, recolher tributação simplificada pelo Simples Nacional e acessar linhas de crédito específicas. Esse processo reforça a arrecadação local, dinamiza economias regionais e gera cadeias produtivas periféricas. Um estúdio de gravação, por exemplo, contrata assistentes, designers e profissionais de marketing, multiplicando o efeito econômico original.

A lógica do arte como negócio rentável também impacta políticas públicas. Governos utilizam dados de arrecadação e empregabilidade para justificar editais, incentivos fiscais e programas de internacionalização. Logo, formalizar-se aumenta a visibilidade do setor criativo perante poderes público e privado, atraindo investimentos e consolidando o ecossistema.

Passos práticos para artistas empreenderem

Ainda que cada trajetória possua nuances próprias, alguns passos se repetem entre histórias de sucesso na Economia Criativa. O primeiro deles é mapear competências únicas: repertório artístico, habilidades técnicas e diferenciais competitivos. Em seguida, transformar essa visão em proposta de valor clara para o público.

O segundo passo envolve planejamento financeiro básico. Ferramentas de fluxo de caixa ajudam a prever receitas sazonais, como cachês de verão, e a criar reserva para períodos de baixa demanda. O Sebrae oferece planilhas prontas e orientações sobre como registrar movimentações diárias.

Na sequência, entra o marketing. Definir persona, produzir conteúdo relevante em redes sociais e estabelecer presença em marketplaces especializados amplia a audiência. Optar por calendário editorial alinhado a datas comemorativas — Carnaval, festas juninas, Natal — facilita a segmentação de campanhas.

Paralelamente, é preciso conhecer a legislação. Direitos autorais, contratos de licenciamento e políticas de distribuição digital devem ser analisados com apoio de assessoria jurídica ou cursos específicos. A formalização como Microempreendedor Individual (MEI) ou microempresa garante acesso a benefícios previdenciários, linhas de crédito e participação em editais.

Por fim, cultivar rede de contatos consistente alimenta oportunidades. Participar de feiras, mostras, residências artísticas e programas de aceleração proporciona visibilidade e gera parcerias que reforçam a tese da arte como negócio rentável.

Perspectivas futuras para o setor criativo

Analistas apontam que a convergência entre tecnologia e cultura seguirá acelerada. Realidade aumentada, inteligência artificial e experiências imersivas já transformam a maneira como consumidores interagem com conteúdo. A estimativa de consultorias internacionais indica crescimento anual significativo para segmentos de games, streaming e licenciamento de marcas.

Nesse contexto, profissionais que dominam gestão tendem a tirar melhor proveito das novas plataformas. Criadores capazes de analisar métricas de engajamento, validar protótipos de conteúdo e adaptar-se a formatos múltiplos despontam como protagonistas do mercado. O conhecimento oferecido por entidades como o Sebrae cria base sólida para que artistas incorporem tecnologia sem perder identidade autoral.

A governança ambiental, social e de integridade (ESG) também ganha espaço. Patrocinadores priorizam projetos alinhados a valores de diversidade, inclusão e responsabilidade social. Quem já conduz a arte como negócio rentável sob prisma ético encontra terreno fértil para captar recursos, pois comprova impacto positivo mensurável.

Conclusão: arte, empreendedorismo e propósito

A fala de Tiago Abravanel no Carnaval de Salvador ecoa um movimento maior: a profissionalização da Economia Criativa brasileira. Reconhecer que o ato de criar também precisa de gestão estratégica não diminui a sensibilidade artística; ao contrário, garante condições para que a expressão cultural floresça com liberdade e alcance ainda maior.

Programas gratuitos do Sebrae oferecem ferramentas concretas para quem deseja trilhar esse caminho. A soma de capacitação, planejamento e networking transforma projetos autorais em empreendimentos sustentáveis, impulsionando emprego, renda e riqueza cultural. Diante desse cenário, encarar a própria obra como arte como negócio rentável deixa de ser alternativa e se torna passo essencial rumo à independência artística e financeira.


Com informações de Agência Sebrae de Notícias

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