Queda do Bitcoin pressiona mineradores e acende alerta global
A Queda do Bitcoin pressiona mineradores nas últimas semanas e reabre o debate sobre a sustentabilidade da atividade responsável por validar blocos na blockchain.
A desvalorização em torno de 3,1% em 24 h, que levou a cotação do ativo para US$ 69,9 mil em 9 de fevereiro de 2026, somou-se ao mergulho até US$ 61 mil no mesmo período, criando um ambiente inóspito para pequenos e médios operadores de rigs.
Nesta reportagem especial, reunimos fatos, análises e projeções para explicar como o recuo do preço tornou o dia a dia dos mineradores mais caro, por que grandes companhias listadas em bolsa também sangram e quais são os possíveis desdobramentos para investidores e para o ecossistema cripto como um todo.
O que mudou no mercado de mineração de Bitcoin?
O Bitcoin é sustentado por uma rede de mineradores que investem em equipamentos especializados e consomem grandes quantidades de energia elétrica para resolver cálculos complexos. Em troca, recebem novas unidades da criptomoeda e as taxas de transação pagas pelos usuários. Esse modelo só se mantém lucrativo quando a soma entre preço do ativo, eficiência energética e capacidade computacional supera o custo marginal de produzir um bloco.
Nas últimas semanas, porém, a Queda do Bitcoin pressiona mineradores de diferentes perfis. Segundo dados da CoinMarketCap citados na fonte original, a moeda digital desvalorizou 3,1 % em 24 h, atingindo uma mínima semanal de US$ 61 mil. Esse patamar é crítico para quem opera com energia mais cara ou utiliza hardware antigo, como aponta Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil.
Quem são os mais afetados?
• Médios e pequenos mineradores: possuem capital limitado, sofrem com flutuações na tarifa de eletricidade e, muitas vezes, não têm acesso a contratos de longo prazo para energia mais barata. Quando o retorno cai, desligar máquinas é a única saída para evitar prejuízo.
• Grandes mineradores listados em bolsa: apesar de contarem com escala, dívidas contraídas para expandir parques de mineração podem se tornar mais onerosas se as margens caírem. Exemplos mencionados são MARA Holdings (MARA), CleanSpark (CLSK) e Iren LTD (Iren), cujas ações acumulam quedas de 55 %, 30 % e 11 % desde outubro de 2025, respectivamente.
Quando e onde o sinal de alerta ficou mais forte?
A volatilidade do mercado cripto não é novidade, mas o gatilho recente foi a decisão do Federal Reserve, em janeiro de 2026, de interromper o ciclo de cortes de juros, mantendo as taxas entre 3,50 % e 3,75 %. Com retornos mais robustos nos títulos do Tesouro norte-americano, investidores passaram a rebalancear portfólios, reduzindo exposição a ativos considerados de risco, como o Bitcoin.
Esse movimento coincidiu com tensões geopolíticas crescentes e com a vigilância dos mercados sobre os altos gastos das big techs em Inteligência Artificial. A combinação de fatores macro ampliou a aversão ao risco e desencadeou a atual pressão vendedora, que, por sua vez, se refletiu diretamente na receita dos mineradores.
Como a economia da mineração entra no vermelho?
O equilíbrio do negócio de mineração depende de três pilares:
1. Receita por bloco
Em 9 de fevereiro de 2026, cada bloco validado gerava 3,125 BTC mais taxas. Quando o preço da moeda cai, a receita nominal em dólares encolhe automaticamente.
2. Custo de energia
Tarifas variam por região. Em mercados com eletricidade subsidiada ou renovável abundante, o impacto é menor. Para operadores que pagam valores de mercado, uma alta no preço da luz, somada à desvalorização do BTC, pode zerar a margem.
3. Eficiência de hardware
Equipamentos mais antigos consomem mais energia por terahash. Se não houver capital para atualizar a frota, a saída é desligar rigs menos eficientes até que o preço se recupere ou a dificuldade da rede caia.
Por que a venda de reservas aumenta a pressão?
Com fluxo de caixa negativo, o minerador recorre ao estoque de Bitcoin para pagar contas. Vender BTC em massa amplia a oferta no mercado à vista, alimentando o ciclo de queda. Analistas temem um efeito dominó: quanto mais moedas são despejadas, maior o recuo da cotação e, portanto, maior o número de mineradores forçados a se desfazer de reservas.
O impacto nas ações de empresas de mineração
Além da operação em si, investidores em bolsa sofrem ao ver o valor de mercado dos maiores players escorregar. De acordo com os percentuais fornecidos, MARA Holdings já perdeu mais de metade de seu valor desde que o Bitcoin tocou a máxima histórica; CleanSpark devolveu quase um terço e Iren LTD acumula baixa de dois dígitos. Essa correlação direta ressalta o risco que os acionistas correm quando apostam em companhias cuja receita está atrelada a uma commodity digital tão volátil.
Macroeconomia: juros e geopolítica
Os dados mostram que a postura do Federal Reserve foi decisiva para o mau humor do mercado. Ao sinalizar que taxas de juros permanecerão elevadas por um período “indeterminado”, a autoridade monetária reforçou o apelo por ativos de renda fixa. Na outra ponta, o Bitcoin — ainda visto como instrumento especulativo — perdeu atratividade.
Somam-se a esse cenário as tensões geopolíticas que afetam o apetite por risco global. Conflitos regionais, problemas nas cadeias de suprimento e incertezas sobre crescimento da economia mundial aumentam a procura por portos seguros tradicionais, como dólar e títulos soberanos, em detrimento de criptomoedas.
Inteligência Artificial domina manchetes
Outro elemento da equação é a disputa de capital entre o universo cripto e as ações de empresas ligadas à Inteligência Artificial. Grandes investidores analisam se os volumosos aportes das big techs em IA estão se traduzindo em receitas futuras. A priorização desse setor drena liquidez de outras classes de ativos, inclusive o Bitcoin.
Projeções: até onde o preço pode cair?
André Franco, CEO da Boost Research, avalia que, caso o pessimismo persista, a moeda pode recuar até a faixa dos US$ 50 mil no curto prazo, mas projeta recuperação parcial até o fim de 2026, com cotação superior a US$ 70 mil.
Imagem: Daniel Rocha
Esse intervalo de preço é relevante para a mineração. Entre US$ 50 mil e US$ 70 mil, há quem opere no limite da rentabilidade. Quanto menor a eficiência energética, maior o risco de desligamento.
Possíveis cenários para o ecossistema
Cenário 1 – Consolidação do setor
Grandes mineradores com balanço robusto podem utilizar a retração para adquirir ativos de concorrentes menores, aumentando participação de mercado.
Cenário 2 – Descentralização ameaçada
Se muitos operadores independentes abandonarem a rede, o poder de hash tende a se concentrar, reduzindo o grau de descentralização que caracteriza o Bitcoin.
Cenário 3 – Reprecificação rápida
Caso fatores macro melhorem — por exemplo, cortes de juros nos EUA — a procura pode voltar, elevando preço e reativando máquinas desligadas.
Por que investidores devem acompanhar o hash rate?
O hash rate é a métrica que indica a soma da capacidade computacional dedicada à rede. Quando a Queda do Bitcoin pressiona mineradores, muitos desligam equipamentos, fazendo o hash rate cair. Uma redução significativa pode impactar a segurança do protocolo, ainda que o mecanismo de dificuldade ajuste os parâmetros para manter o intervalo de 10 minutos por bloco.
Estratégias de sobrevivência dos mineradores
• Aumento de eficiência: troca de antigos ASICs por modelos mais econômicos.
• Contratos de energia renovável: firmar acordos de longo prazo com usinas hidrelétricas, solares ou eólicas.
• Financiamento via capitais próprios: grandes empresas podem captar recursos no mercado para atravessar períodos de baixa.
• Diversificação de receita: integração vertical, oferecendo serviços de hospedagem de máquinas (hosting) ou computação de alto desempenho.
Efeitos sobre a rede Bitcoin
Apesar da tensão, o protocolo possui mecanismos internos de equilíbrio. Quando o hash rate cai, a dificuldade também cede, permitindo que mineradores ainda ativos encontrem blocos com maior facilidade, o que melhora sua lucratividade mesmo sem aumento de preço. Porém, o lag desse ajuste é de aproximadamente duas semanas, intervalo em que muitos operadores ficam vulneráveis.
A voz do mercado: o que especialistas dizem
Guilherme Prado assevera que grandes mineradores podem, paradoxalmente, “ganhar mais espaço” justamente porque conseguem suportar a tempestade. Ao mesmo tempo, analistas e bancos temem que o choque de oferta, fruto da liquidação de reservas por pequenos players, derrube ainda mais o preço e gere um círculo vicioso.
Como a política monetária pode virar o jogo?
Se o Federal Reserve retomar cortes de juros — cenário não descartado, mas adiado —, a atratividade de títulos do governo reduziria. Historicamente, períodos de juros mais baixos favorecem a busca por alternativas de retorno, elevando a demanda por Bitcoin. Esse movimento tende a aliviar a pressão sobre mineradores, pois a receita em dólares por bloco aumentaria.
O futuro próximo: sinais a monitorar
1. Decisões do Fed: mudanças na taxa de juros podem transformar a narrativa macro.
2. Taxa de hash: observada em tempo real, indica se mineradores estão desligando máquinas.
3. Dificuldade da rede: ajuste previsto pode aliviar custos dos que permanecem ativos.
4. Fluxo de reservas de BTC: aceleração nas vendas sugere maiores dores de caixa.
5. Preço da energia: tanto crises quanto alívio no mercado de combustíveis fósseis impactam o custo final.
Reflexos na adoção institucional
A aprovação anterior de ETFs de Bitcoin à vista, ainda que não tenha sido suficiente para segurar a cotação no curto prazo, segue sendo vista como passo importante para a adoção institucional. Entretanto, a ausência de influxos relevantes por parte desses instrumentos, destacada por analistas, também colaborou para intensificar a volatilidade.
Educação financeira: o que aprender com a crise
Para investidores de varejo, a queda atual reforça a lição clássica de gerenciamento de risco: nunca alocar recursos que não possam ser mantidos em meio a oscilações acentuadas. A mesma lógica aplica-se aos mineradores, que, em essência, estão expostos ao preço do ativo que produzem.
Conclusão
A Queda do Bitcoin pressiona mineradores e acende um sinal de alerta que vai muito além do universo cripto. Ela revela como políticas monetárias globais, tensões geopolíticas e mudanças de preferência de investidores podem se entrelaçar, afetando diretamente quem mantém a infraestrutura fundamental da blockchain.
O desfecho ainda é incerto. Há quem veja oportunidades de consolidação e ganho de eficiência; há quem tema um efeito dominó capaz de reduzir a descentralização da rede. O certo é que, enquanto o preço do Bitcoin permanecer distante de suas máximas, o setor de mineração continuará no centro de um debate que mistura tecnologia, energia e finanças tradicionais.
Para o leitor: acompanhar indicadores como hash rate, dificuldade, fluxo de reservas de mineração e decisões de política monetária será essencial para compreender os próximos capítulos desta narrativa.
No curto prazo, a prudência dita o tom. No longo prazo, permanece a pergunta: o modelo de segurança energética que sustenta o Bitcoin será capaz de resistir a mais uma fase de baixa? Só o tempo dirá.
Com informações de E-Investidor


