Bitcoin pode buscar resistência em US$ 72 mil se compra reagir, avaliam analistas

Bitcoin pode buscar resistência em US$ 72 mil se compra reagir, avaliam analistas

O bitcoin iniciou a segunda quinzena de fevereiro sob forte volatilidade, mas a resistência em US$ 72 mil permanece como principal divisor de águas, segundo profissionais de mercado. Entenda o que sustenta o patamar, quais fatores técnicos e macroeconômicos moldam o preço e por que investidores monitoram com atenção a liquidez dos ETFs e o movimento dos derivativos.

Neste especial de mais de 2.000 palavras, reunimos análises, dados de negociação, contexto regulatório e perspectivas de curto e médio prazo, trazendo uma visão completa para quem acompanha a maior criptomoeda do planeta.

O que está acontecendo com o preço do bitcoin?

Desde o início de 2026, o bitcoin alterna ralis e correções acentuadas. O pico recente, próximo a US$ 75 mil no fim de janeiro, foi rapidamente sucedido por um processo de desalavancagem. De acordo com a corretora Binance, a mínima de curto prazo se deu em 5 de fevereiro, quando a cotação tocou US$ 60 mil. Daquele ponto até agora, o ativo consolidou um intervalo entre US$ 65,5 mil e US$ 72 mil, refletindo incerteza sobre a próxima perna de tendência.

Para a analista técnica Ana de Mattos, parceira da exchange Ripio, a ausência de fluxo significativo para os ETFs spot listados nos Estados Unidos – vistos no início do ano como grandes catalisadores de preço – provocou um descompasso entre expectativa e realidade. “Sem entradas líquidas robustas, prevaleceu a redução de risco. Operadores alavancados, sobretudo em futuros perpétuos, foram ‘forçados’ a zerar posições, gerando liquidações em cascata”, afirma.

Como a desalavancagem pressionou o mercado

No mercado cripto, grande parte da liquidez se concentra em derivativos, notadamente contratos perpétuos que permitem alavancagem superior a 10 vezes o capital próprio. A dinâmica funciona bem em ambientes de alta, mas costuma virar catalisadora de quedas abruptas quando a direção se inverte. Assim que o bitcoin perdeu o suporte de US$ 72 mil no início de fevereiro, algoritmos de risco nas corretoras passaram a disparar liquidações automáticas.

Números consolidados pela Coinglass mostram que, na primeira semana de fevereiro, mais de US$ 1,9 bilhão em posições longas foram liquidadas globalmente. O efeito dominó reduziu a alavancagem vigente, mas também inibiu a retomada imediata porque, segundo Ana de Mattos, “a confiança foi parcialmente abalada”.

A importância da resistência em US$ 72 mil

Tecnicamente, a zona entre US$ 72 mil e US$ 75 mil concentra uma oferta volumosa de moedas, fruto de compras realizadas em dezembro e janeiro. São investidores que ainda estão no lucro e podem decidir vender caso o preço retorne à região, dificultando a passagem do pavimento superior. “Para superar essa barreira, o fluxo comprador precisa não apenas neutralizar as ofertas existentes, mas ir além, criando volume suficiente para sustentar um rompimento consistente”, explica a analista.

Uma forma de dimensionar essa oferta é observar o indicador UTXO Realized Price Distribution (URPD), que mostra em quais níveis as unidades de bitcoin foram movimentadas pela última vez. Os dados compilados pela Glassnode revelam um pico de UTXOs exatamente no intervalo de US$ 72 mil a US$ 75 mil, corroborando a tese de forte resistência.

ETFs sob os holofotes: por que agora importam mais?

Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin à vista ganharam aprovação formal da SEC norte-americana em janeiro de 2025, mas demoraram a demonstrar entradas regulares de capital. No curto prazo, a lacuna entre a expectativa de afluxo instantâneo e a realidade de fluxos moderados ampliou a frustração do mercado. Ainda assim, estrategistas de firmas como Galaxy Digital e Fidelity argumentam que o impacto dos ETFs deve ser avaliado em janelas mais longas, medindo a adoção gradual por consultores independentes e plataformas de aposentadoria.

No balanço de fevereiro, apenas dois fundos – BlackRock iShares Bitcoin Trust (IBIT) e Fidelity Wise Origin (FBTC) – registraram entradas líquidas expressivas. Mesmo assim, o montante somado, de US$ 1,1 bilhão, ficou aquém do que muitos traders esperavam para sustentar altas adicionais. “Mais importante do que o número bruto de aportes é a regularidade e a diversificação do perfil investidor”, lembra Ana de Mattos. “Se vermos investidores institucionais ampliando posição progressivamente, isso tende a dar tração para um rompimento rumo aos US$ 80 mil.”

A leitura dos derivativos: hedge ou pessimismo?

Outra métrica que ganhou relevância nas últimas semanas é o volume de opções de venda (“puts”) com exercício em US$ 60 mil e US$ 53 mil. Ao mesmo tempo em que refletem busca por proteção, esses contratos também indicam receio de quedas mais acentuadas. O viés defensivo fica nítido quando se observa o put/call ratio – índice que compara o número de opções de venda versus compra: ele saltou de 0,47, em meados de janeiro, para 0,78 no fechamento da primeira quinzena de fevereiro, apontam dados da Deribit.

Na prática, os compradores de puts travam parte das eventuais perdas, mas os vendedores dos mesmos contratos ficam expostos, sendo obrigados a comprar a cripto caso a cotação mergulhe nos níveis de strike. Isso cria um piso de liquidez, ainda que potencial, nos US$ 60 mil e nos US$ 53 mil – suportes técnicos destacados pela analista da Ripio.

O peso do macro: juros, inflação e geopolítica

Além do cenário interno do ecossistema digital, fatores macroeconômicos desempenham papel decisivo. Nos Estados Unidos, as expectativas de corte de juros iniciam a cada divulgação do indicador de inflação ao consumidor (CPI). Em 13 de fevereiro, um CPI ligeiramente abaixo do consenso reacendeu apostas de que o Federal Reserve possa reduzir a taxa básica a partir de junho. Como reagem os ativos de risco?

Historicamente, juros mais baixos tendem a favorecer a busca por retorno em segmentos voláteis, incluindo criptomoedas. Contudo, incertezas geopolíticas no Oriente Médio e na Europa mantêm o “prêmio de risco” elevado, limitando uma migração de capital tão imediata. É um equilíbrio delicado em que o bitcoin, por vezes, opera como ativo pró-risco e, em outras, como proteção inflacionária – o que explica parte das oscilações recentes.

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Imagem: Jean Mendes

Sentimento de longo prazo permanece construtivo

A despeito da instabilidade de curto prazo, indicadores on-chain sugerem que detentores de longo prazo (long-term holders) resistem à tentação de vender. Conforme a Coinbase, mais de 70% da oferta circulante não se movimenta há pelo menos seis meses, sinal de convicção alta entre “holders raiz”. Esse comportamento mitiga quedas abruptas porque reduz a oferta real disponível em exchanges.

Ademais, março marca o início da contagem regressiva para o halving previsto para abril de 2028. Embora ainda faltem dois anos, ciclos anteriores mostraram que a narrativa do halving costuma ganhar força gradualmente, alimentando expectativas de redução de oferta nova e, por conseguinte, pressões de alta de preço.

Cenários traçados pelos analistas

Cenário 1 – Rompimento da resistência em US$ 72 mil
Para que isso ocorra, três condições são apontadas com maior frequência: (1) retomada consistente de entradas líquidas nos ETFs, sinalizando demanda institucional; (2) estabilização do open interest no mercado de derivativos, indicando que a desalavancagem completou seu ciclo; e (3) manutenção de indicadores macro em rota benigna, como inflação em queda e expectativa de juros menores.

Cenário 2 – Consolidação prolongada
Nesse ambiente, o bitcoin continuaria oscilando entre o suporte de US$ 60 mil e a resistência de US$ 72 mil. Traders de range tenderiam a se beneficiar, enquanto investidores de prazo mais longo poderiam usar quedas para acumular posições. Um gatilho para romper essa lateralização poderia ser justamente a proximidade do halving 2028, historicamente geradora de narrativa favorável ao preço.

Cenário 3 – Perda de US$ 60 mil e busca de US$ 53 mil
Embora menos provável na visão da analista da Ripio, não pode ser descartado, sobretudo caso o Federal Reserve adie cortes de juros ou a geopolítica piore. Nesse caso, o nível de US$ 53 mil – onde opções de venda se concentram – seria observado como suporte técnico e psicológico. “A boa notícia é que há liquidez pronta para absorver um choque. A má é que o sentimento ficaria azedo por algum tempo”, comenta Ana.

O papel do investidor pessoa física: estratégias possíveis

A volatilidade do bitcoin pode assustar, mas também cria oportunidades. Entre as abordagens populares estão:

1. DCA (Dollar Cost Averaging) – Consiste em comprar quantias fixas em períodos regulares, diluindo o risco de comprar “na máxima”.
2. Swing trade – Aposta em movimentos de curto a médio prazo, explorando as faixas de suporte e resistência atuais.
3. Venda coberta de calls – Para quem já detém BTC, pode gerar renda passiva ao vender opções de compra com strikes acima do preço atual.
4. Proteção por puts – Similar aos institucionais, indivíduos podem comprar opções de venda para limitar perdas.

Riscos a monitorar de perto

Liquidez de exchanges: o fechamento de grandes corretoras ou escândalos de solvência podem disparar pânico – lição aprendida após o colapso da FTX em 2022.
Ambiente regulatório: investigações ou novas restrições em mercados-chave (EUA, União Europeia e China) sempre afetam o sentimento.
Cibersegurança: hacks de pontes de rede e protocolos DeFi seguem como ameaça constante, ainda que não impactem diretamente o bitcoin, minam a confiança no ecossistema.

Conclusão: o que observar nas próximas semanas

Se a força compradora ressurgir de forma coordenada, alimentada por aportes institucionais e maior apetite ao risco, a resistência em US$ 72 mil pode ser novamente testada. Rompê-la exigirá volume expressivo e sustentado. Caso contrário, o bitcoin deve permanecer no limbo atual, com negociações laterais até que novos catalisadores apareçam.

Independentemente do desfecho imediato, o cenário de longo prazo continua ancorado em fundamentos como adoção institucional, escassez programada e crescimento de infraestrutura. Para o investidor, o desafio é calibrar horizonte de tempo, tolerância a risco e estratégia, lembrando sempre que a volatilidade, no reino cripto, não é exceção, mas sim a regra.

[Final natural da notícia]


Com informações de E-Investidor

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