Novas regras de pontos Amex: Bradesco muda acúmulo do Centurion e Gold

O Bradesco iniciou hoje uma reestruturação importante em seu programa Membership Rewards e, com isso, novas regras de pontos Amex passam a orientar o acúmulo dos plásticos Centurion e Gold emitidos no Brasil. Para muitos clientes, a alteração representa mudança direta na rotina de gastos, no planejamento de viagens e no potencial de geração de milhas.

Neste artigo exclusivo, destrinchamos cada ajuste, explicamos o contexto competitivo, trazemos simulações de ganho real, avaliamos custos de IOF e spread cambial e apontamos estratégias para seguir extraindo valor do programa. Tudo de forma humanizada, didática e fiel aos fatos divulgados pelo banco.

Visão geral das mudanças

O Membership Rewards, programa de fidelidade dos American Express emitidos pelo Bradesco, atualizou o regulamento a partir de 19 de fevereiro de 2026. As alterações tocam em três pontos-chave:

1. Centurion Card: fim da bonificação de 7 pontos por dólar para o segmento de viagens no Brasil; introdução da mesma taxa de 7 pontos por dólar em qualquer compra no exterior; manutenção da pontuação padrão de 5 pontos por dólar nas compras nacionais.

2. Gold Card: adoção de sistema escalonado conforme o volume mensal de gastos: até R$ 2.500, o cartão gera 1,2 ponto por dólar em compras domésticas e 1,5 ponto por dólar no exterior; acima desse limite, a razão sobe para 1,5 e 1,8 ponto, respectivamente.

3. Regras de elegibilidade: o banco esclareceu quais transações continuam válidas para acúmulo, reforçando exclusões usuais como saques, encargos, IOF e serviços financeiros.

Por que o Bradesco mudou a regra do Centurion Card?

Até a véspera do novo regulamento, o Centurion era um dos raríssimos cartões brasileiros que somava 7 pontos por dólar naquilo que mais interessa ao viajante – passagens, reservas de hotel, locação de veículo e agências de turismo. A partir de agora, essa bonificação passa a valer exclusivamente para qualquer compra processada fora do país, independentemente do tipo de serviço ou bem adquirido.

Segundo fontes de mercado, a decisão atende a dois vetores:

Crescente uso do cartão no exterior. Nos últimos três anos, o volume de transações internacionais vem subindo em ritmo maior que o doméstico. Oferecer 7 pontos por dólar fora do país estimula ainda mais esse perfil de consumo, gerando receita maior de interchange em moeda estrangeira.

Controle de custos. Quando o benefício era restrito ao setor de viagens no Brasil, uma parcela significativa do faturamento migrava para sites locais de passagens e hotéis, pressionando as margens do programa. Expandir a mecânica ao exterior dilui o benefício, pois as transações internacionais já embutem 3,5 % de IOF e, no caso do Amex Bradesco, um spread de 5,30 % sobre o câmbio. Na prática, parte do custo da pontuação extra volta para o banco por meio dessas tarifas.

Impacto prático para o titular do Centurion

Para entender o efeito líquido da mudança, simulamos dois cenários de gasto mensal de US$ 3.000: um focado em viagens nacionais, outro em despesas gerais no exterior.

Cenário A – Antes da mudança

  • US$ 3.000 em passagens nacionais (segmento bonificado) ⇒ 7 pontos por dólar = 21.000 pontos.
  • Custo cambial inexistente (transação nacional).

Cenário B – Depois da mudança

  • US$ 3.000 em compras no exterior ⇒ 7 pontos por dólar = 21.000 pontos (mesmo volume).
  • Custos: IOF de 3,5 % (R$ 525 em uma fatura de R$ 15.000) + spread de 5,30 % (aprox. R$ 795 adicionais na conversão).

Embora o total de pontos permaneça igual, o cliente agora desembolsa cerca de R$ 1.320 a mais em encargos. Se atribuirmos R$ 70 a cada 1.000 pontos (valor médio de mercado para resgates aéreos), os 21.000 pontos valem R$ 1.470. O “lucro” efetivo cai para R$ 150, valor consideravelmente menor do que no cenário anterior – onde não havia custos extras.

Esse cálculo evidencia que o Centurion segue atraente para quem já teria altos gastos internacionais, mas passa a punir quem concentrou despesas domésticas em viagens justamente pela superpontuação.

Gold Card: a lógica de escalonamento

No American Express Gold Card, o Bradesco abandonou a tabela fixa de 1,5 ponto por dólar para compras nacionais e 1,8 ponto para compras no exterior. A partir de agora:

  • Gasto mensal até R$ 2.500: 1,2 ponto/dólar (nacional) e 1,5 ponto/dólar (exterior).
  • Gasto mensal acima de R$ 2.500: 1,5 ponto/dólar (nacional) e 1,8 ponto/dólar (exterior).

Na prática, o cliente que mantiver o mesmo nível de uso anterior precisa superar o corte de R$ 2.500 para não perder pontuação. Quem não alcança o limite perde 0,3 ponto/dólar, equivalente a 20 % a menos em compras domésticas.

Vale a pena manter o Gold?

A resposta depende da sua faixa de gasto. Se suas despesas já superam R$ 2.500, nada muda. Para quem ficava abaixo desse montante, três caminhos se apresentam:

1. Concentrar gastos. Antecipar contas, pagar serviços anuais à vista e firmar acordos de splits de contas (streaming, celular, condomínio) pode empurrar o valor mensal acima de R$ 2.500. Assim você volta à pontuação original.

2. Migrar para outro Amex. O The Platinum Card segue gerando 2,2 pontos por dólar em qualquer compra, sem escalonamento, porém cobra anuidade significativamente maior.

3. Avaliar concorrentes. Cartões como Santander Unique, Itaú The One ou C6 Carbon oferecem de 2 a 2,5 pontos por dólar, alguns sem exigir gasto mínimo e com spreads menores no câmbio.

Comparação lado a lado: antes x depois

Para facilitar a visualização, reunimos as taxas no formato texto corrido, sem tabelas, de acordo com as diretrizes de formatação:

Centurion CardAntes: 7 pontos/dólar em viagens nacionais; 5 pontos/dólar em demais gastos nacionais; 7 pontos/dólar no exterior. – Depois: 5 pontos/dólar em qualquer compra nacional; 7 pontos/dólar em todo gasto internacional.

Gold CardAntes: 1,5 ponto/dólar nacional e 1,8 ponto/dólar exterior sem escalas. – Depois: até R$ 2.500, queda para 1,2 e 1,5; acima de R$ 2.500, mantidas as antigas taxas.

Como ficam as salas VIP e outros benefícios?

O comunicado do Bradesco não menciona alterações em acessos a lounges, seguros de viagem, concierge ou status de hotelaria associados aos dois plásticos. Portanto, nesse momento, somente a mecânica de pontos sofre alteração. Ainda assim, clientes atentos sabem que mudanças em pontuação costumam antecipar ajustes em benefícios periféricos, prática comum para equilibrar custos do programa.

Métricas de valor: quanto vale um ponto MR depois da reestruturação?

No universo de milhas, o fator que consolida a utilidade de um cartão é o chamado CPP – centavos por ponto. Considerando o histórico recente do Membership Rewards, o resgate mais valorizado tem sido a transferência para a TAP Miles&Go durante promoções de 100 %, convertendo 1 ponto em 2 milhas. Cada milha TAP pode render 2,4 centavos em voos internacionais de longo curso na Star Alliance. Logo, 1 ponto MR chega a valer 4,8 centavos. Com esse balizador:

  • O Centurion gera, na melhor hipótese, 33,6 centavos por dólar (7 × 4,8) no exterior.
  • O Gold, acima de R$ 2.500, gera até 8,64 centavos em território nacional (1,8 × 4,8) convertidos em milhas, lembrando que compras externas implicam IOF.

Quando descontamos IOF e spread, o valor líquido cai, mas ainda supera muitos concorrentes na faixa premium, principalmente se você aproveitar bônus de transferência.

Custos invisíveis: IOF, spread e anuidade

Muitos clientes enxergam apenas a pontuação de face, mas três componentes corroem parte do benefício:

IOF de 3,5 %. Cobrado sobre toda compra internacional em cartão de crédito brasileiro, esse imposto é fixo e independe do banco.

Spread cambial de 5,30 %. O Bradesco aplica essa margem sobre a cotação do dólar turismo no dia do fechamento da fatura. É um dos spreads mais altos do mercado, inferior apenas a alguns emissores nichados.

Anuidade. O Centurion opera em modalidade de convite e cobra cifras de seis dígitos por ano, além de taxa de emissão. O Gold custa cerca de R$ 550, mas oferece isenção ao ultrapassar um consumo anual estipulado.

A soma desses fatores pode transformar um alto acúmulo de pontos em retorno modesto, caso o usuário não maximize bônus de transferência ou passagens em classe premium de alto valor.

Estratégias avançadas para potencializar o ganho

Mesmo com as novas regras de pontos Amex, é possível manter um patamar atrativo de retorno. Veja cinco táticas:

Antecipar gastos em dólar. Se pretende viajar, compre ingressos de parques, passagens de trem e reservas de atrações ainda no Brasil para acumular 7 pontos por dólar e fugir de variações de câmbio no destino.

Aproveitar promoções de gift cards internacionais. Sites americanos vendem cartões de presente de grandes varejistas. A transação conta como compra no exterior e gera 7 pontos/dólar, podendo ser usada durante a viagem.

Programar transferências com bônus. O Membership Rewards historicamente lança campanhas de 80 % a 110 % para programas como TAP, Delta, Air France KLM e Iberia. Segure os pontos até a maior bonificação possível.

Mesclar com cartões sem spread. Use um banco digital com spread zero em parte das despesas internacionais para reduzir custos de câmbio, mantendo o Centurion apenas em compras que justifiquem a superpontuação.

Monitorar despesas para ultrapassar R$ 2.500 no Gold. Se preferir manter o Gold, concentre gastos em um único ciclo para não cair na faixa de 1,2 ponto/dólar.

O que pensam os especialistas?

Consultores de milhas apontam que a mudança traz prós e contras. Para Camila Ferraz, fundadora de um escritório de planejamento de viagens de luxo, “O novo Centurion reforça a vocação internacional do Amex, mas empurra o cliente a lidar com custos de câmbio cada vez mais altos. Há de se calcular o break-even cuidadosamente”. Já Felipe Guimarães, educador financeiro, alerta: “Pontuação alta sem disciplina de resgate vira pó. Se o usuário deixar pontos parados ou não pegar bônus de 100 %, será engolido pelos encargos”.

Cenário competitivo: como reagem outros bancos

A onda de ajustar regras de acúmulo não se restringe ao Bradesco. Nos últimos 18 meses:

Itaú. O The One subiu de 2,5 para 3 pontos por dólar no exterior, porém passou a exigir gasto mínimo de R$ 15.000 mensais para manter a alíquota máxima.

Santander. O Unique preserva 2 pontos/dólar, mas aumentou anuidade em 15 % e restringiu promoções de bônus de transferência para clientes select.

Banco do Brasil. O Visa Altus ainda oferece 2,2 pontos/dólar em qualquer compra, sem escalas, porém lançou tarifa de spread de 4 % que antes não existia.

É evidente que o cenário se move em direção ao encarecimento do acúmulo, reforçando a necessidade de planejamento detalhado.

Futuro do Membership Rewards no Brasil

Historicamente, o American Express adota postura conservadora no país, ajustando benefícios em compasso lento quando comparado a bancos digitais disruptivos. Contudo, analistas preveem que a pressão dos custos regulatórios (Basel III, Pix, open finance) e a valorização do dólar perto de R$ 6 possam levar a mais revisões ainda em 2027. O Platinum Card pode ser o próximo da lista.

Perguntas frequentes sobre as novas regras

O Centurion continua valendo 7 pontos em passagens compradas no exterior?

Sim. Como toda compra internacional agora pontua em 7 pontos por dólar, passagens emitidas em sites estrangeiros permanecem elegíveis à taxa máxima.

Compras em apps de viagem com processamento fora do Brasil contam como exterior?

Contam, desde que a transação seja liquidada em moeda estrangeira. Plataformas como Uber e Booking podem processar em reais; nesses casos, a pontuação cai para 5 pontos/dólar.

Pagamentos de boletos pelo aplicativo geram pontos?

Não. O regulamento reforça que qualquer operação de pagamento de boletos ou transferências via internet banking segue inelegível para acúmulo.

Posso solicitar downgrade do Centurion para evitar a anuidade?

O Centurion não permite downgrade convencional. Titulares precisam cancelar e solicitar outro produto, sujeito à análise de crédito.

O Gold Card perdeu competitividade?

Apenas para quem gasta menos de R$ 2.500 mensais. Acima disso, a pontuação foi mantida; logo, o cartão segue competitivo na sua faixa.

Conclusão

As novas regras de pontos Amex sinalizam o reposicionamento do Bradesco em um mercado de fidelidade cada vez mais caro ao emissor e complexo para o consumidor. No Centurion, a mudança favorece quem já faz compras internacionais e penaliza o viajante doméstico que concentrava gastos de turismo no Brasil. No Gold, o escalonamento obriga o cliente a conhecer – e controlar – o valor de sua fatura para não perder recompensas.

A lição que fica é simples: programe-se, calcule o retorno líquido e diversifique instrumentos de pagamento. Pontos, quando bem geridos, seguem sendo moeda forte para quem busca upgrades na cabine ou noites gratuitas em hotéis de luxo. Contudo, a era de ganhos fáceis acabou; sobreviverá quem dominar planilhas de custos, promoções de transferência e o calendário de viagens.


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